Suprema Corte não quer Clinton advogando

A Suprema Corte dos EUA proibiu nesta segunda-feira o ex-presidente americano Bill Clinton de exercer sua profissão de advogado em causas de sua esfera. O tribunal, instância máxima da Justiça do país, tem como praxe não apresentar justificativas para suas sentenças e divulgou apenas que se tratava de uma "medida disciplinar". Mas Clinton, que tem 40 dias para apelar da decisão, já havia sofrido, em abril de 2000, sanções do tribunal estadual do Arkansas por ter mentido sob juramento e tentado obstruir a ação da Justiça durante o escândalo sexual que o envolveu com a ex-estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky. Ele teve sua permissão para advogar no Estado suspensa por cinco anos e foi multado em US$ 25 mil. As acusações de perjúrio e obstrução da Justiça quase levaram Clinton ao impeachment no início de 1999. O Senado o absolveu em fevereiro daquele ano. No primeiro depoimento tomado pelo promotor especial Kenneth Starr sobre o caso, Clinton negou ter mantido qualquer tipo de relacionamento com Monica. Mas depois, pressionado pelas evidências que surgiram nos meses seguintes, reconheceu ter mantido relações "de natureza sexual" com a jovem. Ao longo do processo, testemunhas afirmaram que Clinton e seus advogados tentaram orientar a ex-estagiária para não admitir a relação em seus testemunhos. Embora o Legislativo tivesse considerado que a pena da perda do mandato presidencial fosse desproporcional para sancionar delitos derivados de uma questão de natureza pessoal, a obstrução e o perjúrio violam a ética da profissão de advogado. "Bill Clinton, de Nova York, Estado de Nova York, está suspenso do exercício da função de advogado ante essa corte", determinou a sentença da Suprema Corte, adotada após a sessão inaugural do ano judicial americano. Após o fim de seu mandato, Clinton transferiu seu domicílio para Nova York, Estado pelo qual sua mulher, Hillary, elegeu-se senadora no ano passado. Caso Clinton se abstenha do direito de apresentar suas alegações, a medida se tornará permanente.

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