Suprema Corte paquistanesa cassa mandato de premiê

A Suprema Corte paquistanesa declarou na terça-feira que o primeiro-ministro Yusuf Raza Gilani é inelegível para ocupar cargos públicos, abrindo uma nova crise para um país que já enfrenta uma militância islâmica, uma fraca atividade econômica e uma fase ruim nas relações com os Estados Unidos.

REUTERS

19 de junho de 2012 | 19h51

Mas não parece haver uma ameaça imediata à estabilidade do governo, pois o Partido do Povo Paquistanês (PPP) tem uma maioria confortável no Parlamento. A decisão, no entanto, deve gerar novas tensões entre o impopular governo civil e o juiz Iftikhar Chaudhry, que ganhou fama nos últimos anos por confrontar as mais poderosas personalidades do país.

Em abril, a Suprema Corte havia condenado Gilani por menosprezar o tribunal, já que ele se recusou a reabrir processos de corrupção contra o presidente Asif Ali Zardari.

"Yusuf Raza Gilani está desqualificado como membro do Majlis-e-Shoora (Parlamento)", disse Chaudhry no plenário lotado. "Ele também deixou de ser o primeiro-ministro do Paquistão (...), o cargo de primeiro-ministro está vago."

Mas Fawad Chaudhry, assessor graduado de Gilani, disse que só o Parlamento pode demitir o premiê, opinião partilhada por muitos analistas.

Porém, horas depois da decisão da Suprema Corte, a TV estatal noticiou que a Comissão Eleitoral nacional havia emitido uma notificação oficial da cassação de Gilani. Cabe recurso à sentença.

O comitê executivo central do PPP, que tem folgada maioria parlamentar para escolher um novo premiê, disse que vai deixar de lado suas restrições à decisão da Suprema Corte e irá consultar seus advogados e então formular uma estratégia.

Zardari cancelou uma visita à Rússia por causa da crise, segundo um porta-voz.

Gilani é o primeiro premiê em exercício a ser condenado judicialmente na história paquistanesa. Milhares de processos de corrupção foram arquivados em 2007 por uma anistia aprovada pelo então presidente militar Pervez Musharraf, o que abriu caminho para a volta de um regime civil.

Dois anos depois, a Suprema Corte considerou a anistia ilegal e ordenou a reabertura de processos por lavagem de dinheiro contra Zardari. Amparando-se na imunidade processual do presidente, Gilani e seu governo se recusaram a cumprir a ordem judicial de solicitar informações sobre o caso a autoridades suíças.

(Por Qasim Nauman)

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