Neil Hall/EFE/EPA
Neil Hall/EFE/EPA

Supremacistas dos EUA são acusados de espalhar fake news a respeito das vacinas entre aborígenes

Autoridade da Austrália Ocidental afirmou que parte da desinformação vem de grupos do Facebook, incluindo um cuja imagem de perfil é uma foto do ex-presidente Donald Trump

Amy Cheng, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2021 | 14h00

O líder da Austrália Ocidental acusou supremacistas brancos dos Estados Unidos de espalhar desinformação a respeito de vacinas contra covid-19 entre aborígenes de seu Estado.

O premiê Mark McGowan, cujo Estado abriga a cidade de Perth, disse a repórteres nesta quinta-feira, 2,  que os grupos não se importam com os povos originários australianos e “não ficariam tristes se algo de ruim acontecesse” com eles. McGowan pediu aos indígenas que ouçam, em vez disso, especialistas em medicina a respeito das vacinas.

McGowan afirmou que foi comunicado a respeito da desinformação por líderes locais. Uma graduada autoridade de assuntos aborígenes da Austrália Ocidental, Wanita Bartholomeusz, afirmou que parte da desinformação vem de grupos do Facebook, incluindo um cuja imagem de perfil é uma foto do ex-presidente Donald Trump. Ela também afirmou que informações falsas estão sendo enviadas para comunidades aborígenes e que o material partiu de grupos nos EUA, de acordo com a Australian Broadcasting Corp (ABC).

Aproximadamente 88% dos australianos com idades a partir de 16 anos tinham sido completamente imunizados contra o coronavírus até a quinta-feira, mostram dados do governo. A Austrália Ocidental conseguiu em grande medida controlar o coronavírus, mas apresenta o mais baixo índice de imunização com duas doses no país, com pouco mais de 77% dos cidadãos com mais de 16 anos completamente vacinados.

Mas o índice de vacinação de indígenas é muito mais baixo, de aproximadamente 63% dos cidadãos com mais de 16 anos. (Leonora, uma cidade da Austrália Ocidental, imunizou somente 13% de seus habitantes aborígenes, de acordo com a ABC).

Falta acesso em algumas comunidades remotas a certos tipos de assistência médica. Um exemplo notável é o de Walgett, com uma considerável população indígena e localizada a 644 quilômetros de Sydney, que foi colocada em lockdown apenas dois dias depois de detectar seu primeiro caso, em agosto. O hospital do município não possui UTI, e pacientes graves tiveram de ser transportados de helicóptero, em voos de três horas, para receber tratamento em uma cidade próxima.

Especialistas alertaram desde os primeiros dias da pandemia que o coronavírus poderia infestar as comunidades indígenas do país, que apresentam altos índices de problemas de saúde crônicos e expectativa de vida mais baixa do que os australianos não indígenas, particularmente em regiões remotas. Como muitos outros povos originários de todo o mundo, os indígenas australianos têm um doloroso histórico em relação a doenças infecciosas.

Apesar dos milhares de quilômetros de distância entre os países, numerosas comparações têm sido feitas entre EUA e Austrália durante a pandemia de coronavírus. As políticas de “covid zero” e a obrigatoriedade de vacinação australianas foram atacadas por conservadores, com o senador Ted Cruz, republicano do Texas, lamentando em outubro a “tirania da covid” no Território do Norte, na Austrália.

Mas essas políticas foram em grande parte bem-sucedidas em manter a salvo comunidades indígenas durante a pandemia, mesmo que a variante Delta tenha infectado relativamente grandes números de aborígenes em alguns lugares remotos mas densamente povoados. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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