REUTERS/Christian Veron
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Supremo da Venezuela acusa outro deputado por rebelião frustrada

Opositor Rafael Guzmán é o 15º legislador processado por rebelião frustrada contra o presidente Nicolás Maduro em 30 abril; seu paradeiro é desconhecido, assim como o de muitos dos que tiveram a imunidade parlamentar retirada

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2019 | 15h35

CARACAS - O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela acusou nesta quarta-feira, 29, um novo deputado opositor, elevando para 15 o número de parlamentares processados por uma rebelião frustrada contra o presidente Nicolás Maduro em 30 de abril.

O TSJ, de linha governista, acusa o deputado Rafael Guzmán pelos "crimes de traição à pátria, conspiração, instigação à insurreição, rebelião civil", entre outros, informa um comunicado.


A Corte máxima do país solicitou à Assembleia Nacional Constituinte, formada apenas por chavistas, que retire a imunidade do congressista, o que já foi feito com outros deputados acusados de participarem da rebelião contra o governo Maduro.

"Com uma sentença ilegal deste TSJ ilegítimo, Maduro continua em seu objetivo de perseguição e destruição da Assembleia Nacional, mas nenhum tribunal da vergonha poderá tirar de nós a força que nos deu o voto de nossa população", reagiu no Twitter o político.

Guzmán, cujo paradeiro é desconhecido, afirmou também que os congressistas opositores "continuarão em luta" para conseguir a almejada "mudança política". "Maduro e sua cúpula não perdoam que a partir da Comissão de Finanças (do Parlamento) revelamos cada uma das mentiras e fracassos econômicos do regime usurpador", completou.

O levante de um pequeno grupo de militares liderados por Juan Guaidó, chefe parlamentar reconhecido como presidente interino por cerca de 50 países, não conseguiu romper o apoio das Forças Armadas a Maduro.

Esta decisão surge em meio a negociações entre delegados de Guaidó e de Maduro em Oslo, sob mediação da Noruega. O objetivo é tentar buscar uma saída para a queda de braço entre governo e oposição há quatro meses.

Dos congressistas acusados, o vice-presidente da Câmara, Edgar Zambrano, foi detido, e os demais se refugiaram em sedes diplomáticas, fugiram do país, ou estão na clandestinidade. 

Guaidó denunciou esta ofensiva como uma tentativa de "desmontar" o Parlamento, único poder controlado pela oposição no país, mas anulado por uma decisão do TSJ. Na prática, o Legislativo foi substituído pela Constituinte.

Embora o líder opositor também tenha perdido sua imunidade, não foi acusado judicialmente pela rebelião. / AFP

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