Supremo do Paquistão reabilita opositores ao governo

Líder do partido rival assume a chefia do governo na província do Punjab, a mais populosa do país

Efe,

31 de março de 2009 | 09h04

O Tribunal Supremo do Paquistão suspendeu a sentença que desabilitava o ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif e seu irmão Shahbaz Sharif para exercer os cargos para os quais foram eleitos, permitindo que Shahbaz seja reconduzido à chefia do governo da província de Punjab, no leste do país. A decisão chega uma semana depois de um de seus juízes, o popular Iftikhar Chaudhry, afastado pelo ex-presidente Pervez Musharraf por ser crítico de seu governo, ser reconduzido ao cargo pelo atual chefe de Estado, Asif Ali Zardari, viúvo de Benazir Bhutto.

 

Segundo a agência estatal APP, a Corte ordenou a volta de Shahbaz, que também é do partido opositor Liga Muçulmana do Paquistão -Nawaz (PML-N) , após deixar em suspenso uma sentença anterior, a qual em 25 de fevereiro deste ano tinha impossibilitado os irmãos Sharif de ocupar cargos públicos.

 

O próprio governo paquistanês, liderado pelo Partido Popular do Paquistão (PPP), do qual o presidente do país, Asif Ali Zardari, faz parte, tinha recorrido à sentença para conter uma onda de protestos liderados pela legenda opositora em meados deste mês. Após deixar a sentença em suspenso enquanto estudam o recurso governamental, os juízes opinaram que Shahbaz pode reaver o cargo de primeiro-ministro de Punjab "com efeito imediato". A PML-N domina a província de Punjab, a mais populosa do Paquistão.

 

"É uma decisão judicial muito importante na história do Paquistão", declarou Shahbaz à rede de televisão Express TV em sua residência na cidade de Lahore, capital de Punjab. Segundo a APP, o primeiro-ministro paquistanês, Yousef Raza Guilani, do PPP, parabenizou Shahbaz pela decisão da Corte Suprema do Paquistão.

 

Após a sentença de 25 de fevereiro, o governador de Punjab, Salman Taseer, do PPP, foi quem assumiu a chefia de governo local. Nas províncias paquistanesas, o governador é o chefe de Estado local e é nomeado pelo presidente do país, enquanto que a chefia de Governo provincial é ocupada por um primeiro-ministro. Zardari reverteu na segunda-feira a ordem que tinha colocado Taseer, de forma interina, à frente do Executivo de Punjab.

 

No sábado passado, diante do Legislativo paquistanês, o presidente do país pediu a reconciliação com a PML-N, partido com o qual o PPP manteve uma breve coalizão após as eleições de fevereiro de 2008. A decisão judicial desta terça encerra a mais grave crise enfrentada pelo governo do PPP em seu primeiro ano, marcado também pelo auge do terrorismo fundamentalista islâmico.

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