Supremo impõe revés a Musharraf

Tribunal reinstala como seu presidente o juiz Chaudhry, que havia sido afastado em março pelo chefe de Estado

Reuters, AP e NYT, O Estadao de S.Paulo

21 Julho 2007 | 00h00

A Suprema Corte do Paquistão reinstalou ontem seu presidente, Iftikhar Chaudhry, impondo uma dura derrota ao presidente paquistanês, Pervez Musharraf - que tinha suspendido o juiz quatro meses atrás sob a alegação de abuso de poder. A suspensão de Chaudhry, em 9 de março, provocou uma onda de protestos dos advogados e dos partidos de oposição, que se transformou em um poderoso movimento pró-democracia, e o presidente da Suprema Corte tornou-se o símbolo de resistência a Musharraf. Dirigindo-se a uma multidão que saiu às ruas de Islamabad para festejar sua vitória, Chaudhry simplesmente disse: "Obrigado. Rezem por mim." Advogados e membros da oposição também festejaram a decisão do Supremo nas cidades de Karachi, Lahore e Rawalpindi, gritando "fora Musharraf". Chaudhry representa o maior desafio a Musharraf desde que o presidente chegou ao poder por meio de um golpe militar, em 1999. Sentindo-se fortalecido após ser reinstalado no cargo por dez votos a três, Chaudhry deve criar obstáculos para os planos de Musharraf de permanecer como chefe do Exército e, ao mesmo tempo, tentar se reeleger para um segundo mandato de cinco anos nas eleições presidenciais de outubro. Musharraf tem dito que deixará a chefia do Exército até o fim do ano, mas também já indicou que pode não cumprir a promessa, declarando que a farda é sua segunda pele. O primeiro-ministro paquistanês, Shaukat Aziz, disse que o governo aceitou o veredicto da Justiça e pediu união nacional. "Gostaria de enfatizar que precisamos aceitar o veredicto com a dignidade de uma nação madura", declarou Aziz. Nos EUA, o Departamento de Estado assinalou que a reinstalação de Chaudhry "respeita o império da lei" e elogiou o fato de o Supremo paquistanês ser "capaz de tomar decisões independentes". É a primeira vez na história do Paquistão que a Suprema Corte vai contra um governo militar. O Paquistão tem sido governado por generais por mais de metade de seus 60 anos. O país foi fundado após a independência do território em relação à Grã-Bretanha, em 1947. Musharraf também vem enfrentando uma grande onda de violência no país desde que ordenou, no dia 10, uma ofensiva militar contra uma mesquita em Islamabad onde estavam entrincheirados estudantes radicais islâmicos. Mais de 180 pessoas foram mortas em uma série de atentados de militantes islâmicos em represália pela invasão da Mesquita Vermelha. Ainda ontem, cinco pessoas morreram em um atentado suicida na região do Waziristão do Norte - o 11º em uma semana.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.