Supremo processa 2 deputados opositores na Venezuela

Governo é acusado de tentar substituí-los por parlamentares leais a Maduro, que aprovariam a Lei Habilitante

CARACAS, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2013 | 02h10

O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela decidiu iniciar processo contra dois deputados da oposição acusados de corrupção. A Mesa de Unidade Democrática (MUD), principal coalizão antichavista, vê no indiciamento uma tentativa do presidente Nicolás Maduro de conseguir aprovação de seu pedido de Lei Habilitante, medida prevista na Constituição que lhe permitiria governar por decreto.

Juan Carlos Caldera López, ligado ao governador do Estado de Lara, Henri Falcón, é acusado de ter desviado fundos para a campanha à presidência do governador de Miranda, Henrique Capriles, líder da MUD. Já a ex-chavista María Mercedes Aranguren Nassif, a outra indiciada, vê no processo uma tentativa de substituí-la por um suplente leal a Maduro. Isso daria o voto final para a maioria de três quintos necessária para aprovar a Lei Habilitante - o governo tem 98 dos 99 votos necessários.

María Mercedes rompeu com o chavismo no ano passado, quando o governador de seu Estado, Jorge Briceño, aderiu à oposição. Os integrantes do TSJ são politicamente próximos ao chavismo.

Maduro solicitou poderes especiais por um ano para legislar sobre corrupção e contra uma suposta guerra econômica travada pelo setor privado e pela oposição contra o governo.

Uma das frentes de batalha é a alta do dólar paralelo. Ontem, foi lançada uma investigação sobre entidades esportivas que estariam se favorecendo da prioridade para comprar a moeda americana no câmbio oficial e revendê-la no paralelo, sete vezes maior, com o pretexto de viajar para competições.

Turistas podem trocar até US$ 3 mil por ano, solicitando a cotação de 6,30 bolívares na estatal Cadivi (Comissão de Administração de Divisas). Integrantes de seleções esportivas que representem a Venezuela no exterior podem solicitar quantias mais elevadas.

Alguns desses beneficiários estão sendo acusados de fazerem dezenas de solicitações fraudulentas para a aquisição de dólares, a fim de despejá-los no mercado negro. Em nota, a procuradoria disse que investigadores da Cadivi e do Sebin (Serviço Bolivariano de Inteligência) estão coletando itens de interesse criminal, entre eles documentos e selos oficiais do Ministério dos Esportes.

Em entrevista publicada na quinta-feira pelo jornal Ultimas Noticias, a ministra dos Esportes, Alejandra Benítez, disse ter descoberto em um banco estatal que sua assinatura foi falsificada em mais de 60 solicitações fraudulentas para compra de dólares. Segundo ela, quase todas as fraudes envolvem o automobilismo. "Houve um só piloto que, em um ano e meio, teve aprovados 66 milhões de dólares", disse Benítez. "Apenas dois desses pilotos estavam solicitando, em um ano, o que nos custa para levar uma equipe completa com mais de 600 atletas para uma competição." / EFE e AFP

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