AP Photo/Steve Helber
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Suprimentos começam a chegar em Wilmington, cidade dos EUA inundada pelo Florence

Estradas estão fechadas e maioria da população está sem energia; prefeito negocia com governo da Carolina do Norte para conseguir combustível enquanto abastecimento não for normalizado

O Estado de S.Paulo

18 Setembro 2018 | 11h03

WILMINGTON - Em Wilmington, na Carolina do Norte, esta terça-feira, 18, marca o início da distribuição de suprimentos, água e lonas para os moradores da cidade de 120 mil habitantes, quase inteiramente inundada pela passagem do furacão Florence. Enquanto isso, as atividades de resgate continuam nos bairros alagados.

Segundo autoridades locais, uma estrada de acesso à cidade foi aberta por algum tempo para receber itens de outras cidades. Os mantimentos foram transportados em caminhões e helicópteros militares, que também foram utilizados para resgatar centenas de pessoas ilhadas nos telhados de suas casas ou em outras estruturas.

Este foi o caso de Willie Schubert, que estava no topo de seu telhado com o cachorro, Lucky. Eles foram resgatados de helicóptero por membros da Guarda Costeira em Pollocksville.

O número de mortes causadas pelo Florence subiu para pelo menos 32 entre os três Estados afetados, com a Carolina do Norte tendo registrado o maior número de vítimas - 25. Enquanto isso, remanescentes do outrora furacão de categoria 4, agora reduzido a uma massa chuvosa e de ventos de baixa pressão, aceleram em direção ao Noroeste.

As vítimas na Carolina do Norte incluem um menino de um ano de idade, que foi varrido pela água quando sua mãe entrou na inundação e não conseguiu segurar o filho enquanto tentava voltar para área seca. Autoridades da Virgínia registraram a morte de uma pessoa, vítima de um possível tornado.

Apesar do fim da chuva, o perigo continua. O governador da Carolina do Norte, Roy Cooper, alertou que a água das inundações continuará alta pelos próximos dias. Ele pediu aos residentes que deixaram suas casas, nas áreas mais atingidas, que permaneçam afastados, já que as estradas estão fechadas.

No condado de New Hanover, onde fica Wilmington, equipes realizaram cerca de 700 resgates. Mais de 60% dos lares e empresas ficaram sem energia, disseram autoridades da região.

Agora, estradas estão sendo limpas e o aterro local está aberto para aceitar o lixo produzido pelas enchentes. O prefeito de Wilmington, Bill Saffo, disse que está trabalhando com o governo do Estado para obter mais combustível para a cidade.

Três dias após a passagem do Florence, os problemas causados pelo furacão estão em toda a cidade, desde linhas de energia derrubadas até árvores caídas e estradas fechadas. O cheiro de pinheiros quebrados se disseminava pelos bairros afetados.

Estatísticas preliminares da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera mostraram que o Florence teve a quarta maior precipitação causada por furacões registrada nos Estados Unidos desde 1950. Foram 91,2 centímetros de chuva em Elizabethtown, na Carolina do Norte.

O furacão Harvey, no ano passado, chegou a registrar 153,87 centímetros de chuva e ocupa a primeira posição na lista.

Desesperado por gás para alimentar um gerador de energia em casa, Nick Monroe esperou em uma fila de mais de oito quilômetros, apesar de as bombas de distribuição estarem fora de serviço. Ele ficou sem energia na quinta-feira 13, antes de o furacão chegar à costa do país, mas não se lembra o horário em que aconteceu. "É tudo como um borrão", disse.

Em outro posto de gasolina, uma longa fila de veículos seguia um caminhão-tanque que chegava com 33 mil litros de combustível.

Rebaixado de furacão para depressão tropical, a tempestade ainda produz chuva abundante e ventos de mais de 40 quilômetros por hora. Meteorologistas estimam que o fenômeno continue em direção ao nordeste, que deve receber até 10 centímetros de água de chuva, antes que o sistema se desloque novamente para o mar.

Funcionários de emergência tiveram dificuldades para acompanhar o escopo do desastre em expansão. Em Lumberton, onde o Rio Lumber inundou casas, o chefe dos bombeiros, John Paul Ivey, não conseguiu contar quantas chamadas as autoridades receberam sobre pessoas que precisavam ser resgatadas. / AP

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