Surfistas adotam baleias para protegê-las

Do Chile à Califórnia, da Austrália aoJapão, surfistas de todo o mundo uniram-se para proteger asbaleias caçadas pelos japoneses, os que mais matam cetáceos noplaneta. Os surfistas pretendem salvar os animais fazendo comque diferentes povoados e comunidades adotem-nos. Na Austrália, 60 povoados adotaram baleias em meio aoprograma Surfistas pelos Cetáceos, criado pelos praticantesdesse esporte com o intuito de proteger as baleias e osgolfinhos. Também participam dele comunidades que vão de Nova York àNova Zelândia. Os cetáceos incluem as baleias, os golfinhos eas toninhas. "O objetivo é reconhecer o vínculo de todos os que vivemosnas regiões costeiras do planeta com as baleias que estãomigrando para ou vivendo nas áreas em que nos encontramos",afirmou à Reuters o surfista e fundador do grupo, DaveRastovich, no começo da reunião anual da Comissão BaleeiraInternacional (IWC) em Santiago. Na Austrália, na entrada dos povoados colocam-se cartazescom a imagem da cauda das baleias -- algo que as distingue umasdas outras como se fossem impressões digitais. Com isso, osturistas que saem para observar baleias, uma atividadecomercial cada vez mais popular, podem identificar os cetáceosadotados ali. "Já não se trata de uma baleia a mais no oceano, mas debaleias com história, com nome, uma família, uma personalidade.Há algumas que realizam coisas cinematográficas quando chegamperto dos seres humanos", afirmou Rastovich. CONEXÃO PESSOAL O projeto também visa dissuadir a ação da frota baleeira doJapão, apesar de, desde 1986, haver uma moratória sobre a caçadesses animais em todos os mares. Os japoneses, no entanto,matam cerca de mil baleias por ano para "fins científicos." "Isso cria uma conexão e uma motivação para intervirmosquando essas ameaças (na forma de navios baleeiros) surgem",disse Rastovich. O surfista afirma ter uma relação muito pessoal com baleiase golfinhos. Dois dias depois de fundar a Surfistas pelosCetáceos, quatro anos atrás, um golfinho afastou umtubarão-tigre que chegou perto dele enquanto surfava. "Em todo o mundo, estamos andando nas ondas ao lado dosgolfinhos, aproveitando o surf e a vida em um ambiente limpo",disse. "Existe uma conexão incrível através das espécies. Estamosaproveitando do mesmo ato de simplesmente descer uma onda. Nósos vemos descer as ondas pelo mesmo motivo que fazemos isso:pela emoção de ir mais rápido e de locomover-se com liberdadepelo oceano", acrescentou.

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