Surgem primeiras divergências entre Blair e Bush

As primeiras divergências sobre a guerra contra o terrorismo começaram a surgir entre o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair. Em público não aparece a tensão entre Washington e Londres, mas o diário britânico The Guardian dedicou hoje um grande espaço às primeiras "sérias diferenças" entre as duas capitais. O jornal escreveu que "cresce o mal-estar" no governo britânico com a administração Bush. "Há preocupação, nas frentes militar e diplomática," escreveu o diário, "com o conflito entre israelenses e palestinos; com a estratégia de bombardeios; com o que é visto como ausência de consultas dos Estados Unidos com seus aliados e atenção insuficiente dos Estados Unidos em relação à crise humanitária. O governo britânico está incomodado, segundo o jornal, com a disposição da administração Bush de expandir a guerra para além do Afeganistão, e está horrorizado ante o fato de determinados elementos do Pentágono estarem insistindo para que seja desfechado um ataque geral contra o Iraque. Entretanto, a principal fonte de divergências seria o tratamento do conflito israelense-palestino, apontou o Guardian. Blair teme que o modo como Washington trata o processo de paz no Oriente Médio afaste a opinião pública árabe, que é vista como de importância crucial na coalizão contra o terrorismo. "Blair, que conheceu diretamente, durante sua viagem para o Oriente Médio, a profundidade da indignação árabe, insistiu durante as conversações mantidas em Washington, para que o presidente Bush fizesse pressão para que Israel voltasse às conversações de paz", escreveu o jornal. Mas Blair sofreu uma contrariedade, na quinta-feira, ao saber que o secretário de Estado, Colin Powell, não faria um discurso, como vinha sendo anunciado desde há algum tempo, na Assembléia Geral da ONU este fim de semana, apoiando a criação de um Estado palestino. O discurso estava sendo apresentado como mudança histórica da política americana com respeito a Israel, representando um movimento significativo em direção à posição palestina.

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