Surgirão manobras contra mudanças

O presidente Barack Obama deveria começar a traduzir o quanto antes em tática e estratégia sua revolução conceitual em curso na política externa americana.O escopo dessa revolução tem sido ambíguo, especialmente contra o pano de fundo dos últimos oito anos. Durante esse período, a busca pela paz no Oriente Médio estagnou-se (e, no começo do ano, Gaza experimentou um doloroso derramamento de sangue); as relações com o Irã tornaram-se mais envenenadas; a guerra no Afeganistão foi ignorada; a crise política no Paquistão intensificou-se com a tentativa estranhamente concebida de promover Benazir Bhutto em lugar de Pervez Musharraf; o esfriamento com Moscou virou um congelamento a despeito das alegações oficiais de "as melhores relações com a Rússia em todos os tempos"; e a estatura dos EUA encolheu na América Latina. Nossos amigos europeus observaram tudo isso consternados.Com suas declarações, Obama começou a redefinir os conceitos básicos que direcionam a política externa americana. Mas, para mudar políticas reais, ele terá de tomar decisões específicas com a ajuda de sua equipe de política externa sobre como prosseguir, em que ritmo, como superar vários obstáculos, e com que senso de urgência agir. Ele também terá de lidar com manobras nos níveis secundários de seu governo e no Congresso para diluir seus objetivos e desacelerar seus esforços. Argumentos usuais de que "o momento não está maduro" para isso ou aquilo serão colocados, esforços serão feitos para atribuir condições e limites de tempo às negociações que ele defende para assegurar que essas negociações continuem infrutíferas; surgirão resoluções no Congresso para restringir sua liberdade de ação. E assim por diante.É aí que, ainda contemplado com grande apoio popular, o presidente Obama terá de demonstrar por que foi eleito. Eu acho que ele o fará.*Zbigniew Brzezinski foi assessor de Segurança Nacional no governo Jimmy Carter

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