Surto de Ebola causa confusão e angústia em crianças do oeste da África

Crianças de Serra Leoa, Libéria e Guiné estão profundamente perturbadas e confusas com o surto de Ebola que já deixou 3.700 órfãos, fechou escolas para milhões e desestimulou a prática de esportes para evitar o contágio, disse uma autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta sexta-feira.

MICHELLE NICHOLS, REUTERS

17 de outubro de 2014 | 20h55

A chefe de comunicações de crise do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef, na sigla em inglês), Sarah Crowe, voltou a Nova York na semana passada depois de passar mais de um mês na Libéria, onde disse que a febre hemorrágica “tomou conta de todos os aspectos da vida”.

Uma menina liberiana de seis anos perguntou a ela: “Quando o Ebola vai embora da Libéria? Porque eu quero voltar para a escola.”

O saldo de mortes subiu para 4.546 de um total de 9.191 casos conhecidos nos países mais afetados, Serra Leoa, Libéria e Guiné, informou a Organização Mundial da Saúde (OMS). Também foram registrados casos na Nigéria, no Senegal, na Espanha e nos Estados Unidos.

Uma epidemia separada de Ebola, oriunda de outra cepa, tirou 49 vidas na República Democrática do Congo, segundo a OMS.

“A doença mudou a maneira como as pessoas vivem e mudou a maneira como as pessoas morrem”, afirmou Crowe sobre o pior surto de Ebola já registrado. “Ela erodiu aquele sentimento de compaixão.”

O Unicef disse precisar de mais de 200 milhões de dólares para sua ofensiva contra o vírus no oeste africano, mas até agora só recebeu cerca de um terço dos fundos.

Cerca de 3.700 crianças da região perderam um ou os dois pais para o Ebola, declarou o Unicef. Crowe afirmou que na Libéria cerca de 600 crianças que perderam os pais foram reunidas a algum parente.

“Sem dúvida isso vai deixar uma população de crianças profundamente perturbadas... estão confusas e angustiadas”, disse Crowe durante uma entrevista coletiva na ONU.

As crianças ficavam aturdidas com as equipes funerárias que “pareciam astronautas em vestimentas de aplicação de pesticida” e chegavam às suas casas para levar familiares doentes ou mortos, contou.

Esportes como o futebol foram desencorajados para deter a propagação, já que a doença é transmitida pelos fluidos corporais, acrescentou Crowe.

O Unicef está montando centros de tratamento provisórios, anunciou ela, onde as crianças que tiveram contato com pessoas infectadas podem ser cuidadas por uma rede de sobreviventes do Ebola treinados e que desenvolveram imunidade ao vírus.

“Por essa razão, são capazes de oferecer o amor, o cuidado e a atenção que crianças pequenas, em especial, necessitam”, disse.

Crowe alertou que o surto de Ebola ameaça prejudicar os avanços obtidos na região no enfrentamento da mortalidade infantil e na saúde maternal, observando que a Libéria teve o declínio mais rápido de mortalidade infantil na África na última década.

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