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Susan Rice perdeu espaço entre democratas e republicanos

A embaixadora não foi indicada para ser a secretária de Estado dos EUA no segundo mandato de Obama

Denise Chrispim Marin, correspondente em Washington,

21 de dezembro de 2012 | 21h59

WASHINGTON - Castigada por ter defendido a versão oficial sobre episódio do ataque ao consulado americano em Benghazi, em 11 de setembro passado, a embaixadora Susan Rice perdeu a chance de tornar-se a secretária de Estado do segundo mandato de Barack Obama. Sua aparição em cinco programas de televisão, cinco dias depois do ataque em Benghazi, consternou a oposição republicana. Mas, na base democrata do governo, a rejeição a seu nome estava já delineada por outros fatores que pesam em seu currículo.

Embaixadora dos EUA nas Nações Unidas e principal articuladora das ferozes sanções aplicadas pelo Conselho de Segurança ao Irã, Rice tem ações em companhias que fizeram negócios com empresas iranianas. Seus informes de investimentos, divulgados conforme as regras do governo americano, mostraram ter ela e seu marido, o empresário Ian Cameron, entre US$ 50 mil e US$ 100 mil em ações da petroleira Royal Dutch Shell.

Essa companhia deve US$ 1 bilhão para empresas iranianas, segundo o Washington Post. Rice e Cameron também possuem entre US$ 15 mil e US$ 50 mil em acões da petroleira italiana ENI. A essa empresa tem permissão para explorar petróleo no Irã, sem ser risco de sofrer sanções, porque companhias iranianas lhe devem cerca de US$ 1 bilhão.

Mas outro investimento de Rice tornou especialmente delicada a sua nomeação para o posto hoje ocupado por Hillary Clinton. Rice e o marido têm ações na Trans Canada, que pretende construir o oleoduto Keystone XL. A execução do projeto, que atravessa os EUA de Norte a Sul e passa por um aquífifero, foi suspensa pelo Departamento de Estado por razões ambientais. O mesmo órgão deverá, no início de 2013, liberar ou manter as obras suspensas.

O passado de Rice e seu temperamento difícil também pesaram negativamente na opinião de senadores do Comitê de Relações Exteriores, órgão responsável por sabatinar os indicados pelo presidente para o Departamento de Estado. Entre os dados pinçados estava o fato de Rice ter defendido em 1994, quando fazia parte do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, que não fosse usado o termo "genocídio" para descrever o massacre de mais de 500 mil pessoas em Ruanda, durante o conflito entre membros das etnias hutu e tutsi.

Enquanto defendia sua nomeacão, em meados de novembro, a mesma Rice bloqueou a menção, em uma declaração do Conselho de Segurança, do apoio de Ruanda e de Uganda aos conflitos protagonizados pelo grupo rebelde M23 na República Democrática do Congo. O gesto, embora tenha sido lido como orientação da Casa Branca, foi também anotado pelos senadores contrários a essa posição.

Em 27 de novembro, Rice tentou salvar sua indicação, ainda defendida com vigor por Obama. Encontrou-se com senadores republicanos para explicar porque havia declarado, em cinco programas de televisão, que o ataque ao consulado americano em Benghazi havia sido resultado de uma manifestaão contra um filme anti-islâmico produzido nos EUA.

O governo americano, naquele momento, resistia em associar o episódioa um ato de terror, como foi confirmado posteriormente. No ataque, o embaixador na Líbia, Christover Stevens, e três funcionários do Departamento de Estado foram mortos. Os senadores, liderados pelo republicano John McCain, se disseram "mais perturbados ainda" depois da conversa com Rice. A embaixadora enviou a Obama uma carta pedindo para que retirasse sua indicação 16 dias depois.

 

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