Andrew Caballero-Reynolds/AFP
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Suspeita de movimentação militar na fronteira faz EUA alertarem Rússia sobre invasão da Ucrânia

Governo americano prepara 'iniciativas' para conter agressão russa, disse Biden

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2021 | 17h26

O governo americano está preparado para impor sanções ou outras medidas contra a Rússia se o país decidir invadir a Ucrânia, disse a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, nesta sexta-feira, 3, em meio à suspeita de que o Kremlin se prepara para o conflito na fronteira.

Psaki afirmou que o presidente russo, Vladimir Putin, está tomando medidas que lhe permitirão invadir o país vizinho. "É por isso que queremos estar preparados em uma área sobre a qual expressamos sérias preocupações", declarou.

Psaki afirmou que os Estados Unidos se preparam para uma possível ligação com Putin para discutir o assunto.

Nesta sexta-feira, o presidente americano, Joe Biden, prometeu dificultar a realização de uma ação militar na Ucrânia, dizendo que seu governo está montando um conjunto abrangente de iniciativas para conter a agressão russa.

“O que estou fazendo é reunir o que acredito ser o conjunto mais abrangente e significativo de iniciativas para tornar muito, muito difícil para Putin ir em frente e fazer o que as pessoas estão preocupadas que ele possa fazer”, disse Biden a repórteres.

Os alertas americanos vêm em meio à crescente preocupação com o aumento de tropas russas na fronteira com a Ucrânia e a retórica cada vez mais belicosa do Kremlin. De acordo com uma matéria publicada nesta sexta-feira na CNN, baseada nos depoimentos de duas fontes familiarizadas com os últimos relatórios de inteligência americanos, as forças russas já têm capacidade para uma invasão rápida e imediata.

De acordo com as fontes ouvidas pela CNN, o país teria construído linhas de abastecimento e unidades médicas e de combustível. Os equipamentos que estão na região poderiam abastecer forças da linha de frente por sete a 10 dias e outras unidades de apoio por até um mês. 

À CNN, o deputado democrata Mike Quigley, de Illinois, que faz parte do Comitê de Inteligência da Câmara, disse acreditar que a Rússia está posicionada para invadir "quando quiser", acrescentando que "as capacidades da Rússia seriam equivalentes a uma blitzkrieg moderna".

Há sinais de que a Casa Branca e o Kremlin estão perto de acordar uma conversa, na próxima semana, entre Biden e Putin. O assessor de relações exteriores de Putin, Yuri Ushakov, disse a repórteres na sexta-feira que foram feitos preparativos para uma ligação nos próximos dias, acrescentando que a data será anunciada após Moscou e Washington finalizarem os detalhes. 

Biden não detalhou quais ações ele estava avaliando. Mas o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, que se encontrou na quinta-feira com o secretário de Estado Antony Blinken na Suécia, disse que os EUA ameaçaram novas sanções. Ele não detalhou as sanções potenciais, mas sugeriu que o esforço não seria eficaz.

“Se as novas ‘sanções do inferno’ vierem, nós responderemos”, Lavrov disse. “Não podemos deixar de responder.”

Profundas diferenças vieram à tona durante a reunião Blinken-Lavrov, com o oficial russo acusando o Ocidente de "brincar com fogo" ao negar à Rússia uma palavra em qualquer expansão futura da OTAN em países da ex-União Soviética. O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, pressiona a OTAN a aceitar a adesão do país. 

Blinken disse esta semana que os EUA "deixaram claro para o Kremlin que responderemos com determinação, inclusive com uma série de medidas econômicas de alto impacto que evitamos usar no passado.”

Ele não detalhou quais sanções estavam sendo consideradas, mas uma delas poderia ser cortar a Rússia do sistema SWIFT de pagamentos internacionais. O Parlamento da União Europeia aprovou uma resolução não vinculativa em abril para isolar a Rússia do SWIFT se suas tropas entrarem na Ucrânia.

Tal movimento iria longe no sentido de bloquear as empresas russas do sistema financeiro global. Aliados ocidentais supostamente consideraram tal medida em 2014 e 2015, durante escaladas de tensões lideradas pela Rússia sobre a Ucrânia.

O então primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, disse que isso seria equivalente a "uma declaração de guerra". /Com AP e REUTERS

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