Suspeita procurada por ligação com atentados na França está na Síria, diz jornal

Suspeita procurada por ligação com atentados na França está na Síria, diz jornal

Mulher de um dos 3 terroristas mortos, Hayat deixou França cinco dias antes da primeira ação e é procurada pela polícia, segundo o jornal ‘Le Monde’

Andrei Netto - CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

10 de janeiro de 2015 | 14h52

Atualizada às 21h04

Hayat Boummedienne, a quarta suspeita de agir nos atentados em Paris na semana passada, deixou a França no dia 2, segundo o jornal Le Monde. A viagem ocorreu cinco dias antes do começo dos ataques executados pelos irmãos Kouachi e pelo companheiro de Hayat, Amedy Coulibaly – que na quinta-feira matou uma policial e no dia seguinte executou quatro reféns num mercado. Suspeitava-se que ela tivesse fugido com reféns.

De acordo com o Le Monde, Hayat está na Síria, para onde foi com o objetivo de se unir aos combatentes da rede terrorista Estado Islâmico. Segundo o jornal, ela chegou à Turquia no dia 2 e passou para o território sírio no dia 8 – data em que seu marido executou a policial. Uma fonte policial confirmou à agência AFP que a mulher deixou o país antes dos atentados. 

Hayat passou a ser oficialmente alvo de buscas na tarde de sexta-feira, quando o Ministério do Interior publicou um alerta nacional que confirmou seu envolvimento nos atentados, reivindicados pelo grupo terrorista Al-Qaeda da Península Arábica. A polícia divulgou uma foto dela na sexta-feira, alertando que poderia estar armada e ser perigosa. 

Fotos de Hayat vestindo o nicab – o véu islâmico integral – e empunhando armas foram divulgadas pela polícia ontem. As mulheres de Coulibaly e de Chérif Kouachi, um dos dois irmãos – o outro era Said Kouachi – autores do atentado contra o jornal satírico Charlie Hebdo na quarta-feira, estavam em contato e trocaram pelo menos 500 ligações telefônicas, segundo a Procuradoria da República. Sob custódia, a mulher de Chérif confirmou à polícia que os terroristas se conheciam bem, mais uma pista de que os atentados ao jornal, à policial e ao mercado judaico, em três dias consecutivos, estavam conectados.

Segundo as investigações, todos integravam a mesma célula jihadista, a Buttes-Chaumont, criada em Paris nos anos 2000, desbaratada em 2005 e julgada em 2008. Nessa oportunidade, Said chegou a ser condenado a três anos de prisão, pena que cumpriu antes de ser liberado para voltar às ruas.

Na manhã de ontem, uma reunião ministerial, a sétima desde o início da crise, foi coordenada pelo presidente da França, François Hollande. Nela, foram discutidas as investigações e as medidas destinadas a reforçar a proteção interna em curto prazo.

“Estamos expostos a risco. É importante que o plano (antiterrorismo) Vigipirata, que foi elevado em toda a Ile-de-France, seja mantido ao longo das próximas semanas”, informou o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve. “É a razão pela qual nós decidimos manter a mobilização e aumentá-la para proteger certo número de instituições.”

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