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Suspeita sobre atentado suicida em Moscou cai sobre chechenos

Militantes separatistas do Norte do Cáucaso estão sempre no topo da lista de suspeitos

BBC

29 de março de 2010 | 09h33

 

MOSCOU - Radicais islâmicos do Norte do Cáucaso estão quase sempre no topo da lista de suspeitos de atentados a bomba que causam morte e destruição na Rússia, como o que ocorreu na manhã desta segunda-feira, 29. Duas explosões dentro de trens do metrô de Moscou deixaram ao menos 38 mortos e dezenas de feridos.

 

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Os atentados foram realizados por mulheres suicidas, o que é um indício importante para a vinculação dos ataques ao rebeldes islâmicos do Cáucaso do Norte. Guerrilheiros separatistas da Chechênia adotaram pela primeira vez a tática de atentados a bomba suicidas em 2000.

Em 2002, havia mulheres no grupo de militantes que tomou reféns em um teatro em Moscou. As forças de segurança acabaram invadindo o prédio. Elas usavam véus e bandanas que indicavam sua disposição em morrer na batalha, e no ano seguinte começaram os primeiros ataques praticados por mulheres suicidas.

Em julho e em dezembro de 2003, mulheres chechenas realizaram ataques na própria capital russa. O primeiro ataque matou 15 pessoas em um show de rock ao ar livre. Mulheres também participaram da tomada de uma escola em Baslan, na Ossétia do Norte, em 2004, quando 334 morreram, sendo 186 crianças.

 

Estupro

Por isso, não é de surpreender que o chefe do Serviço Federal de Segurança da Rússia, Alexander Bortnikov, tenha sugerido que os militantes suicidas que atacaram o metrô de Moscou vieram do Norte do Cáucaso.

O fato de envolver mulheres tem alguma explicação. Duas das mulheres que participaram da tomada do teatro em Moscou seriam irmãs sequestradas de suas casas em um vilarejo checheno por soldados russos e estupradas por vários homens.

Nos últimos 14 anos, soldados russos deixaram um rastro de destruição na Chechênia não só físico mas também psicológico.

Um grande número de mulheres perdeu marido, filhos, irmãos e pais. As que foram estupradas podem achar impossível um novo casamento e uma vida normal. Há notícia de traumas generalizados em mulheres chechenas.

Lei islâmica

O atual líder rebelde checheno, Doku Umarov, foi declarado "emir" do Norte do Cáucaso - um grupo de repúblicas em área montanhosa onde a maioria da população é muçulmana. Umarov anunciou que pretende implementar a sharia (leis islâmicas) em toda a região e disse que a luta chechena é parte de uma luta mais ampla entre muçulmanos e o Ocidente.

É pouco provável que ele hesite em usar mulheres para atentados suicidas. A polícia de Moscou suspeitaria menos delas do que de homens do Norte do Cáucaso.

Este mais recente ataque, acredita-se, pode ter sido uma retaliação por uma operação de forças russas na Ingushétia, vizinha da Chechênia, no mês passado. Vinte insurgentes morreram, inclusive o suposto líder de um atentado a bomba em novembro, no trem que fazia a rota entre Moscou e São Petesburgo.

 

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