ISNA/Handout via REUTERS
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Suspeitas de ataques a petroleiros recaem em pequenas minas subaquáticas

Especialistas militares dizem que os artefatos podem ter sido presos aos cascos dos navios nos portos de origem e detonados remotamente

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2019 | 05h00

Minas magnéticas de pequeno porte, uma espécie de bomba subaquática presa no casco metálico dos navios, teriam sido usadas nos atentados desta quinta-feira contra os petroleiros Front Altair e Kokuka Courageous, no Golfo de Omã.

Especialistas militares dos EUA disseram que os artefatos podem ter sido instalados nos cargueiros nos portos de origem, dotados de detonadores de tempo que podem ser programados com até 9 horas de antecedência ou acionados remotamente. 

As minas, provavelmente versões do modelo Limpet, uma denominação decorrente da semelhança com a concha de um molusco, são pequenas, têm 31 centímetros de diâmetro, e leves, pesam 6 quilos prontas para uso. Foram desenvolvidas para serem empregadas nas missões de sabotagem das forças especiais da Marinha americana. Um único mergulhador pode acionar o dispositivo. 

Com carga de 1 kg de RDX – explosivo de alta velocidade –, elas podem iniciar um incêndio de grandes proporções. O Front Altair levava 75 mil toneladas de nafta e o Kokuka Courageous, 32,5 mil metros cúbicos de metanol. A onda de choque da explosão se expande a 8.750 metros por segundo e o efeito é devastador. Ainda que não naufragassem, os navios danificados poderiam bloquear o estreito por onde escoa 30% do petróleo e derivados do mundo. 

Nesta quinta-feira, o secretário de Estado, Mike Pompeo, disse que, na região, só o Irã tem condições para conduzir uma ação desse tipo. Não é bem assim. As minas são vendidas no mercado negro. Em Miami, um único fornecedor oferece na internet “qualquer quantidade” do produto. Para se proteger de investigações, ele informa que a venda depende da aprovação do governo. O preço? Sob consulta. 

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