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Célula terrorista teria planejado atacar a catedral da Sagrada Família na Espanha

Mohamed Houli Chemlal, ferido em explosão na casa onde o grupo preparava explosivos, disse que objetivo era realizar atentado de maior impacto, segundo fonte do judiciário espanhol; outros três suspeitos serão interrogados nesta terça

O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2017 | 11h40
Atualizado 22 Agosto 2017 | 15h13

MADRI - Mohamed Houli Chemlal, um dos suspeitos de planejar o duplo ataque terrorista que deixou 15 mortos na Catalunha, admitiu nesta terça-feira, 22, diante de um juiz espanhol que preparava junto a seus companheiros na célula terrorista um atentado de maior impacto, afirmou uma fonte do judiciário espanhol.

O grupo teria pensado originalmente em atacar diversos pontos de Barcelona, até mesmo com o uso de explosivos, incluindo a catedral da Sagrada Família, basílica que é Patrimônio Mundial da Unesco e o principal trabalho do arquiteto Antoni Gaudi.

Chemlal se feriu na explosão acidental em uma casa na cidade catalã de Alcanar (200 km ao sul de Barcelona), onde o grupo fabricava os explosivos para o ataque de maior escala. Ele afirmou para a polícia e confirmou ao juiz que este contratempo fez com que o ataque nas Ramblas e, mais tarde, em Cambrils, fosse antecipado.

Apesar de ter fornecido informações fundamentais para a investigação sobre a célula terrorista que atuou na Catalunha, a procuradoria espanhola pediu que Chemlal seja preso em regime de isolamento e não tenha direito a fiança.

Além de Chemlal, outros três suspeitos detidos pela polícia por conexão com os ataques foram levados nesta terça-feira à Audiência Nacional de Madri, jurisdição encarregada dos casos de terrorismo, para serem interrogados.

Os outros oito integrantes do grupo morreram, seis deles abatidos pela polícia e dois em uma explosão acidental em Alcanar. 

Os detidos, Driss Oukabir, Mohammed Aallaa, Mohamed Houli Chemlal e Salah El Karib, foram levados em camburões da Guarda Civil escoltado por inúmeros carros da polícia.

O juiz Fernando Andreu, depois dos interrogatórios, deve determinar que acusações apresentará contra eles pelos atentados reivindicados pelo grupo Estado Islâmico. As audiências ocorrem a portas fechadas e os suspeitos têm o direito de ficar calado.

Ligações

O marroquino Younes Abouyaaqoub, de 22 anos, suposto motorista que atropelou a multidão em Barcelona, foi morto na segunda-feira em uma ação policial e o imã marroquino Abdelbaki Es Satty, figura-chave da célula por ter doutrinado os outros integrantes, teve sua morte confirmada na explosão acidental ocorrida na casa em Alcanar.

Alvo de uma intensa busca desde quinta-feira, Abouyaaqoub morreu 50 km a oeste da capital catalã, em uma área de vinhedos pouco povoada, onde foi visto por dois policiais que passavam por uma estação de trem.

Quando foi confrontado, o suspeito "abriu o casaco e parecia usar um cinturão de explosivos, que eram falsos", relatou o delegado-chefe da polícia catalã, Josep Lluis Trapero. Abouyaaqoub gritou "Alá é grande" antes que os agentes o matassem.

Cinco dias após os ataques, continuam hospitalizadas 48 pessoas, das quais oito estão em situação crítica e 12 em estado grave, segundo o último balanço da Proteção Civil na Catalunha. / AFP, EFE e THE WASHINGTON POST

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