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Suspeito-chave de atentados de Paris diz não se envergonhar

Não busco nem me elevar em terra, nem cometer desordem, só quero a reforma, sou muçulmano, ou seja, submetido a Alá, diz suspeito de terrorismo

O Estado de S.Paulo

13 Janeiro 2017 | 14h04

PARIS  -O francês Salah Abdeslam, único sobrevivente do comando que lançou os atentados de 13 de novembro de 2015 de Paris, disse em uma carta obtida pelo jornal Liberation que não se envergonha de ser quem é. Abdeslam sempre se negou a falar ante os juízes.

"Eu te escrevo sem saber por onde começar, recebi o conjunto de suas cartas e não posso dizer se gosto ou não delas, o que é certo é que me permitem passar um pouco de tempo com o mundo exterior", afirma Abdeslam. "Em primeiro lugar, não tenho medo de deixar algo escapar porque não me envergonho do que sou - além disso, que coisa pior poderiam dizer de mim além do que já disseram".

Segundo o jornal, Abdeslam é destinatário de muitas correspondências e teria respondido apenas a esta mulher, cuja última carta foi enviada a partir do oeste da França. "Você é sincera, então também vou ser, se te pergunto sobre suas intenções era para garantir que não me ama como se fosse uma 'estrela ou um ídolo', porque recebo cartas assim e não aceito isso, já que o único que merece ser adorado é Alá, Senhor do universo", escreve. "Não busco nem me elevar em terra, nem cometer desordem, só quero a reforma, sou muçulmano, ou seja, submetido a Alá."

A carta foi confiscada no dia 11 de outubro, véspera do dia no qual os advogados do detido, Frank Berton e Sven Mary, anunciaram que renunciavam a defender Abdeslam devido ao silêncio de seu cliente, afirma o Liberation.

Desde então, o único membro com vida dos comandos extremistas de 13 de novembro de 2015 enfrenta sozinho a justiça, já que não é exigida a presença de um advogado durante a instrução, embora deverá ter um, escolhido por ele ou de ofício, no futuro julgamento pelos atentados que deixaram 130 mortos.

Não se sabe o papel exato que ele desempenhou nos atentados de 13 de novembro, nos quais 130 pessoas morreram e que foram reivindicados pelo grupo extremista Estado Islâmico. Os investigadores suspeitam que era responsável pela logística dos ataques, que foram planejados a partir de Bruxelas. / AFP

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