Suspeito condena ataques em Madri e nega envolvimento

O suposto mentor dos atentados que deixaram 191 mortos em março de 2004, em Madri, condenou os ataques "incondicionalmente e completamente", após negar seu envolvimento e se recusar a testemunhar.Rabei Osman El Sayed, ou "Mohammed, o Egípcio", como é conhecido, respondeu nesta tarde às perguntas de seu advogado e às 18 horas (no horário de Madri, 15 horas em Brasília) o presidente do tribunal suspendeu a sessão para que o acusado pudesse escutar fitas que serão incorporadas ao processo como provas, de acordo com o jornal espanhol El Pais.As principais provas contra "El Egípcio" são gravações feitas na Itália, com autorização judicial, em que Sayed assume a autoria intelectual da matança e a intenção de ligar a umtelefone espanhol de propriedade de outro envolvido.De acordo com as transcrições das conversas, o Egípcio teria dito sobre o 11 de Março: "Foi tudo minha idéia". "Custou-me muita paciência e estudo. (...) Foi um projeto que me levou dois anos e meio" e "os que morreram são mártires e meus queridíssimos irmãos"."O Islã é uma religião de paz", disse o Egípcio, que negou qualquer participação no ataque como "nos atentados que foram cometidos em Londres e Nova York".Sayed foi o primeiro dos 29 acusados a ser chamado para depor pelos juízes da Audiência Nacional. Considerado um dos três autores intelectuais do massacre e com acusações que somam 38.656 anos de cárcere, ele inicialmente recusou-se em responde às perguntas do juiz, Javier Gómez Bermúdez, e do Ministério Público."Não reconheço nenhuma acusação, nenhuma denúncia e, com todo respeito ao senhor presidente e aos senhores magistrados, não vou responder nenhuma pergunta, nem sequer as do meu próprio advogado", disse Sayed.Passadas algumas horas, o Egípcio aceitou responder a perguntas de seu advogado, com quem se reuniu em uma pausa. Ele negou ter relação com os atentados e de ter induzido outras pessoas a participarem. "Nunca induzi nenhuma pessoa nem grupos de pessoas".O acusado tentou explicar as razões de sua recusa em falar, mas o presidente do tribunal o impediu, recordando que como testemunha ele tinha o direito de se manter em silêncio e de não se confessar culpado.Entre os acusados, estão 15 marroquinos, nove espanhóis (que provavelmente facilitaram a chegada dos explosivos aos terroristas que provocaram o massacre), dois sírios, um argelino, um libanês e um egípcio.Espera-se que o julgamento se prolongue por quatro ou cinco meses. A Justiça espanhola quer uma sentença antes do final do ano para evitar que se chegue ao quarto aniversário dos atentados com algum dos acusado em liberdade após cumprimento de prisão preventiva.

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