Jean-Philippe Arles/Reuters
Jean-Philippe Arles/Reuters

Suspeito das mortes em escola francesa esteve preso no Afeganistão

Suposto assassino é um cidadão francês de 24 anos com origem argelina; polícia prevê que ele deve se entregar nesta tarde

estadão.com.br,

21 de março de 2012 | 07h31

Texto atualizado às 9h56.

 

PARIS - O suspeito de atirar contra uma escola francesa, Mohamed Merah, havia sido preso em 2007 por produção de bombas na província afegã de Kandahar, no sul do país, mas fugiu da prisão meses depois, quando o Taliban realizou uma ousada fuga, afirmou o diretor de prisões em Kandahar, Ghulam Faruq, à Reuters.

 

Veja também:

linkTragédia altera cenário da campanha presidencial

linkREPERCUSSÃO: Líderes condenam atentado

blog GUTERMAN: O antissemitismo malandro

 

Merah foi detido pelos serviços de segurança em 19 de dezembro de 2007 e sentenciado a três anos de prisão por plantar bombas na província de Kandahar, reduto do Taliban.

 

Merah escapou da prisão junto a mil prisioneiros, incluindo 400 insurgentes do Taliban, durante um ataque do grupo na principal cadeia do sul afegão em junho de 2008.

 

Familiares presos

 

A mãe do suspeito dos assassinatos na escola judaica de Toulouse e dos militares em Montauban, sua namorada e irmão foram presos nesta quarta-feira, 21, como parte das investigações dos atentados que causaram sete mortos.

 

O ministro do interior francês, Claude Guéant, afirmou que as prisões foram feiras por precaução. De acordo com a lei francesa, a prisão dos membros da família para investigação pode durar até quatro dias em caso de terrorismo.

 

Segundo Guéant, o suspeito, cidadão francês de 24 anos com origem argelina e que se diz membro da al-Qaeda, negocia com a polícia e deve se entregar nesta tarde. O suspeito está cercado pela polícia em sua casa e, conforme o ministro, jogou pela janela uma das armas que possuía. No entanto, conta com outras no interior da residência, entre elas uma AK47. As autoridades francesas afirmam que desejam capturá-lo com vida. 

 

A casa sitiada fica a cerca de três quilômetros da escola judaica onde um rabino e três crianças foram mortas a tiros na manhã de segunda-feira. As autoridades francesas acreditam que o mesmo homem matou três soldados na região na semana passada.

O ministro disse à TV francesa que o suspeito, que se comunica com a polícia por trás de uma porta, afirmou que queria "vingar crianças palestinas" e os "crimes" da França no Afeganistão. Promotores disseram que outras operações estavam em andamento para procurar possíveis cúmplices.

Logo após os ataques da segunda-feira, uma grande operação de buscas, envolvendo todas as forças policiais do país, foi estabelecida, diante do temor de que o assassino poderia atacar novamente.

 

Enterro das vítimas

Milhares de pessoas - entre elas o ministro das Relações Exteriores francês, Alain Juppé e o presidente de Israel, Shimon Peres - assistem ao sepultamento, no cemitério de Givat Shaul, o maior de Jerusalém, das quatro pessoas assassinadas na escola judaica. A cerimônia começou depois das 10h locais (5h de Brasília) com a recitação do "Kadish", oração judaica aos mortos, frente aos corpos do mestre-rabino Jonathan Sandler, de 30 anos, seus dois filhos Arieh e Gabriel, de 5 e 4 anos, e Miriam Monsonego, de 7.

Mais de 50 familiares e pessoas próximas das vítimas viajaram da França para o enterro. Pouco antes da cerimônia, Juppé se reuniu com o presidente de Israel, Shimon Peres, e assegurou que o suspeito seria detido "em questão de horas ou até minutos", segundo um comunicado da Presidência israelense.

 

Com agências de notícias.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.