Esam Al-Fetori / REUTERS
Esam Al-Fetori / REUTERS

Suspeito de ataque a consulado em Benghazi é preso e enviado à Tunísia

A duas semanas de votação nos EUA, tunisiano Ali Harzi, de 28 anos, foi detido na Turquia por portar passaporte falso

Denise Chrispim Marin / Enviada Especial / Boca Raton, Flórida

24 de outubro de 2012 | 21h55

BOCA RATON - Um suposto participante do ataque ao Consulado dos EUA em Benghazi, na Líbia, em 11 de setembro, foi extraditado no início deste mês da Turquia para a Tunísia, onde responderá pelo crime de "ação terrorista em outro país em tempos de paz". Pouco depois, o governo do Egito informou, sem dar mais detalhes, que um segundo integrante do grupo que atacou o consulado foi morto numa operação policial no Cairo. Os fatos devem reacender o debate eleitoral em torno da demora do governo de Barack Obama em reconhecer o caráter terrorista do episódio e dar munição para a campanha do democrata, que prometeu punir os responsáveis pelo ataque.

 

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O tunisiano Ali Harzi, de 28 anos, foi detido na Turquia sobre a acusação de portar um passaporte falso e, a pedido do governo da Tunísia, acabou extraditado no dia 11, segundo a agência Associated Press. Sua prisão na Tunísia foi confirmada pelo Ministério do Interior local e por seu advogado, Ouled Ali Anwar. Harzi estará sujeito a uma pena de 6 a 12 anos de cadeia. Com base em declaração do secretário de Defesa, Leon Panetta, outro suposto participante do ataque estaria também preso.

O ataque em Benghazi provocou a morte de quatro funcionários do Departamento de Estado. Entre eles, o embaixador dos EUA na Líbia, Christopher Stevens. Apesar do impacto, o governo americano resistiu em reconhecer o caráter terrorista do episódio e o atribuiu a manifestantes fora de controle. No dia do ataque, um grupo de líbios protestara na frente do consulado contra um filme exibido pelo YouTube no qual o profeta Maomé era ridicularizado.

A reação do governo americano tornou-se alvo de frequentes críticas do candidato republicano à presidência, Mitt Romney, que se valeu do episódio para sublinhar sua avaliação de fragilidade da liderança de Obama. A situação desconfortável para o presidente e candidato à reeleição levou a secretária de Estado, Hillary Clinton, a assumir publicamente toda a responsabilidade por possíveis falhas na segurança do consulado.

No segundo debate entre ambos os candidatos, em Hempstead (NY), Obama pôs um ponto final ao dizer para Romney "pegar a transcrição" de sua declaração oficial, na Casa Branca, no dia seguinte ao ataque. Na ocasião, ele dissera: "Nenhum ato de terror jamais vai fazer tremer a determinação desta nação, alterar seu caráter ou eclipsar a luz de seus valores". O republicano duvidou.

No debate desta semana sobre política externa, em Boca Raton, na Flórida, Romney não retomou o tema. Preferiu embarcar em outra linha, a da necessidade de impedir a expansão de governos extremistas islâmicos no Oriente Médio e fez menção ao Egito. A extradição do suposto terrorista, entretanto, fornece munição para o retorno do tema na reta final da eleição, com Obama e Romney ainda empatados nas pesquisas de opinião.

Ao lado do chanceler brasileiro Antônio Patriota, Hillary Clinton voltou a defender o governo Obama. "Postar algo no Facebook não é nem deixa de ser uma evidência. Isso só enfatiza o quanto foi fluido o relatório (recebido logo após o atentado) naquele momento", afirmou ela, para acrescentar ter dado instruções ao comitê independente que investiga o episódio a não desconsiderar nenhum detalhe. "Vamos saber o que aconteceu. Tomaremos todas as medidas necessárias para conservar tudo o que seja preciso e para trazer à Justiça todos os vinculados a esses assassinatos", completou.

O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, lembrou que a Ansar al-Sharia negou a autoria do atentado dois dias depois do ataque. "Isso não pode ser tomado como um fato. Por isso, uma investigação está em curso", afirmou ele durante um trecho das viagens de campanha eleitoral de Obama.

Os candidatos não chegaram, ontem, a comentar o tema. Mas a republicana Sarah Palin, líder do Tea Party, rompeu seu silêncio nesta eleição e abriu a artilharia contra Obama.

Palin pediu o "fim das mentiras" sobre o episódio de Benghazi. "Por que as mentiras? Por que a dissimulação sobre a causa do assassinato do nosso embaixador? Nós merecemos respostas", afirmou a ex-governadora do Alasca.

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