Suspeito de ataque a consulado se diz inocente

Washington - O militante líbio Ahmed Abu Khatallah, acusado de ser um dos autores dos ataques de 2012 contra o consulado dos Estados Unidos em Benghazi, na Líbia, alegou inocência diante de uma corte federal americana neste sábado. Abu Khattalah fez sua primeira aparição em um tribunal.

Agência Estado

28 de junho de 2014 | 18h48

A acusação diz que ele participou de conspiração ao prover apoio e recursos a terroristas no ataque que matou o embaixador Chris Stevens e outros três norte-americanos. Forças especiais dos EUA capturaram Abu Khattalah na Líbia há duas semanas, marcando o primeiro grande avanço da investigação.

O processo reflete a posição da administração do presidente Barack Obama de levar acusados de terrorismo a justiça criminal norte-americana mesmo quando os Republicanos peçam que Abu Khattalah e outros sejam levados para a prisão em Guantánamo.

Críticos afirmam que suspeitos de terrorismo não merecem proteção legal por cortes americanas. A administração Obama considera, porém, que a justiça civil é mais justa e eficiente.

Na corte, Abu Khattalah usou agasalho esportivo preto e manteve suas mãos, que não estavam algemadas, nas costas. Com barba e cabelos longos e cacheados, ele olhou impassível para o juiz durante a maior parte dos 10 minutos de audiência.

Sua advogada, Michele Peterson, entregou a alegação de inocência e o acusado falou apenas duas palavras, ambas em árabe. Ele respondeu "sim" quando perguntado se jurava dizer a verdade e "não" quando questionado sobre se estava tendo problemas para entender o procedimento. Ele usou fones de ouvido para ouvir um tradutor.

O juiz John Facciola ordenou que Abu Khattalah continue preso, mas não disse onde ele ficaria detido.

A violência na Líbia em 2012, durante o 11º aniversário dos ataques de 11 de setembro ao World Trade Center e ao Pentágono, se transformou numa controvérsia para os Estados Unidos. Republicanos acusaram a Casa Branca de confundirem o público sobre o ocorrido e o governo acusou a oposição de politizar a tragédia.

Abu Khattalah foi uma figura proeminente nos círculos de extremistas em Benghazi. Ele reconheceu em entrevista em janeiro que estava presente durante o ataque a missão norte-americana na região, mas negou envolvimento, dizendo que estava tentando organizar o resgate de pessoas presas.

No ataque, homens atiraram granadas e destruíram a sede da missão. O embaixador Chris Stevens morreu sufocado e outro norte-americano morreu com um tiro. No momento, testemunhas disseram que viram Abu Khattalah comandando o grupo que atacava o local. Fonte: Associated Press.

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