REUTERS/Albert Gea
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Polícia suspeita que autor de ataque em Barcelona tenha fugido para a França 

Autoridades espanholas têm dificuldades para explicar a fuga de Younes Abouyaaqoub, único dos 12 suspeitos que não está preso; investigadores não sabem sequer se era ele quem dirigia a van usada no atentado da semana passada na Catalunha

O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2017 | 16h56
Atualizado 20 Agosto 2017 | 21h33

BARCELONA - Policiais da Espanha e da Catalunha continuam a caçar Younes Abouyaaqoub, único dos 12 suspeitos de participar dos atentados de Barcelona e Cambrils que está foragido. Neste domingo, 20, autoridades disseram que ele talvez tenha fugido para a França. As operações de busca ainda estão em andamento, segundo a polícia, e a segurança nos postos de fronteira foi reforçada.

“Nós não temos nenhuma informação específica sobre isso, mas a hipótese de ele estar na França não pode ser descartada”, disse o chefe de polícia catalão, Josep Lluís Trapero. O policial também admitiu que as autoridades espanholas não têm pistas concretas do suspeito. “Não sabemos onde ele está ou se ainda está na Espanha.”

De acordo com a imprensa espanhola, Abouyaaqoub, que nasceu no Marrocos, é suspeito de ser o motorista que jogou a van contra os pedestres nas Ramblas de Barcelona e fugiu após o ataque. Trapero disse que a polícia não conseguiu confirmar sequer quem estava dirigindo o veículo, mas investigadores acreditavam que apenas uma pessoa estava ao volante.

Enquanto prosseguem as buscas pelo suspeito, a Mossos d’Esquadra, a polícia autônoma da Catalunha, intensificou os controles na fronteira de La Jonquera, entre Espanha e França, como parte do dispositivo para capturar Abouyaaqoub. O reforço nos controles fronteiriços faz parte dos dispositivos de segurança adotados também em outras cidades espanholas, como em Ripoll e Manlleu, segundo fontes da polícia catalã.

Radicalização

A mãe de Abouyaaqoud, que participou neste domingo em uma manifestação diante da Câmara municipal de Ripoll, pediu a seu filho que se entregue à polícia, mas disse que não acreditava que ele era membro da célula terrorista.

Uma prima do foragido, Fátima Abouyaaqoud, disse ter certeza de que foi o ímã da localidade, Abdelbaki el-Satty, quem manipulou seu primo e os outros jovens envolvidos nos atentados. No fim de semana, os investigadores revistaram a casa do ímã em Ripoll em busca de indícios dos atentados e de provas que indicassem se o religioso, que também está desaparecido, é ou não uma das pessoas que morreu em uma casa de Alcanar, após a explosão de uma bomba artesanal.

O local era utilizada pela célula para preparar explosivos e nele foram encontrados os restos biológicos de três pessoas, segundo fontes da investigação, além de material utilizado habitualmente pelo terrorismo jihadista para a fabricação de bombas.

Membros da família de Abouyaaqoub que ainda moram no Marrocos disseram que ele começou a demonstrar comportamento religioso mais conservador há menos e um ano e, em sua última visita a Mrirt - cidade a cerca de 150 km da capital marroquina, Rabat -, em março, o jovem se recusou a apertar as mãos das mulheres.

“Eu abri a porta de casa e vi Younes e Mohamed - primo do foragido que foi morto pela polícia em Cambrils - em motos. Ninguém na família sabia que eles estavam vindo para cá. Foi a última vez que vimos os dois”, disse uma prima dos jovens, que não quis se identificar.

“Younes chegou, participou da reza de sexta-feira na mesquita local e almoçamos todos juntos”, disse a prima do suspeito. “Depois, viajamos para outros lugares e fomos em eventos. Tudo parecia normal.” A jovem disse que percebeu uma mudança no comportamento do primo em março. Segundo ela, a nova personalidade teria sido influência de Mohamed, que havia se radicalizado três anos atrás.

No domigo, enquanto autoridades da Catalunha insistiam em elogiar a ação da polícia, o senador americano Benjamin Cardin fez duras críticas aos órgãos de inteligência da Espanha. Em entrevista à Fox News, Cardin, que é líder do Partido Democrata na Comissão de Relações Exteriores do Senado, afirmou que o ataque em Barcelona era “inaceitável”. “Com as informações que passamos para a Espanha, é inaceitável que esta tragédia tenha acontecido.” / AFP e EFE

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