Suspeito de ataques na Dinamarca usou arma militar

Jovem de 22 anos usou um rifle automático e dois revólveres nos atentados do fim de semana a um centro cultural e a uma sinagoga

O Estado de S. Paulo

18 de fevereiro de 2015 | 18h17

A polícia da Dinamarca afirmou que o suspeito de ser o autor dos ataques a um debate sobre liberdade de expressão e uma sinagoga em Copenhague no fim de semana usava um rifle automático e dois revólveres nos atos.

Omar Abdel Hamid el-Hussein, de 22 anos, foi morto em um tiroteio com a polícia na manhã de domingo após cometer os dois atentados, que, segundo as autoridades dinamarquesas, podem ter sido inspirados pelos ataques ao jornal de humor Charlie Hebdo e a um mercado kosher de Paris, em janeiro.

A polícia local confirmou a identidade do atirador na terça-feira, após diversos veículos de comunicação, incluindo a Associated Press, já terem confirmado através de fontes.

De acordo com o porta-voz da Aquisição de Defesa e Organização Logística Dinamarquesa, Rene Gyldensten, esse tipo de arma era usada pelo Exército do país entre 1995 e 2010 e também pelas forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). "Pode ser uma de nossas armas", disse. Gyldensten afirmou que a polícia ainda não pediu ao Ministério da Defesa para checar registros de número de série. Não se sabe como El-Hussein teve acesso a esse tipo que arma, que não pode ser legalmente comprada na Dinamarca.

No primeiro ataque, no sábado, El-Hussein matou, com apenas um tiro de um rifle automático M-95, um cineasta dinamarquês na parte externa do prédio que sediava o seminário sobre liberdade de expressão, informou o porta-voz da polícia, Joergen Skov. Logo depois, atirou 27 vezes na entrada do prédio, ferindo três policiais que estavam dentro.

Os investigadores afirmaram que a polícia atirou contra El-Hussein. Também atiraram nele os guarda-costas suíços de Lars Vilks, artista da Suíça que recebeu inúmeras ameaças de morte por desenhar caricaturas do profeta Maomé - e que pode ter sido o principal alvo do ataque. Não se sabe se a polícia errou o alvo ou se o atirador estava de colete a prova de balas.

Após fugir do local, El-Hussein apareceu nove horas depois em frente a uma sinagoga de Copenhague, aonde atirou com dois revólveres, matando Dan Uzan, um segurança de origem judaica, e ferindo dois policiais. Skov afirmou que o atirador carregava as duas armas quando foi morto a tiros pelo Grupo de Operações Especiais, na manhã de domingo.

A primeira-ministra da Dinamarca, Helle Thorning-Schmidt, e o Ministro da Justiça, Mette Frederiksen, compareceram nesta quarta-feira ao funeral de Dan Uzan. A cerimônia ocorreu na parte judaica de um cemitério em Copenhague.

El-Hussein, nascido na Dinamarca e com pais palestinos, foi preso diversas vezes por infrações com armas e, recentemente, por um esfaqueamento em um trem, de acordo com documentos da Justiça.

A família de El-Hussein pediu ao governo que ele seja enterrado em um cemitério muçulmano no subúrbio de Copenhague, mas a polícia ainda não liberou o corpo, disse Kasem Said Ahmad, da Fundação Dinamarquesa de Funerais Islâmicos. / AP

Tudo o que sabemos sobre:
Dinamarcaviolência

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.