Suspeito de ataques na Índia começa a ser julgado

O julgamento de um paquistanês acusado pela polícia de ser o único agressor que sobreviveu após os ataques ocorridos em Mumbai, em novembro, começou hoje. O promotor do caso qualificou os atos como "uma conspiração criminal tramada no Paquistão para atacar a Índia". O promotor público especial Ujjwal Nikam disse que pelo menos um militar paquistanês estava envolvido no ataque. Segundo Nikam, a sofisticação da iniciativa sugere a participação da agência paquistanesa de inteligência. O paquistanês Mohammed Ajmal Kasab é acusado de 12 crimes, entre eles homicídio. Os promotores dizem que ele atuou junto com outros nove homens, todos mortos.

AE-AP, Agencia Estado

17 de abril de 2009 | 12h47

A polícia disse que Kasab confessou a participação nos ataques, que deixaram 166 mortos e 304 feridos. Hoje, o advogado do réu disse que sua confissão deve ser jogada fora, pois foi obtida através de coerção. "Houve uma conspiração criminal tramada no Paquistão para atacar a Índia", disse o promotor. Para ele, o fim último da ação "era capturar o Jammu e a Caxemira, que é parte inerente da Índia".

A região Himalaia da Caxemira, dividida entre a Índia e o Paquistão e reivindicada por ambos, tem sido o centro de disputa entre essas nações. O promotor prometeu ir até "a raiz do terror" e que os envolvidos seriam identificados durante a atual investigação. Nikam afirma que os ataques foram tramados pelo grupo militante muçulmano Lashkar-e-Taiba, com o auxílio de pelo menos um militar do Paquistão. Segundo ele, o crime foi possível graças à "cultura terrorista" existente no Paquistão. Acredita-se que o Lashkar-e-Taiba foi criado pelas agências de inteligência paquistanesas, nos anos 1980, para combater o domínio indiano na Caxemira.

Funcionários do Paquistão já admitiram que os ataques em Mumbai foram em parte tramados no país e anunciaram processos criminais contra oito suspeitos. Também admitiram que Kasab é um paquistanês, mas negam qualquer vínculo de suas agências de inteligência no ataque. O advogado de defesa de Kasab, Abbas Kazmi, disse que a confissão do suspeito deve ser descartada. "Ela foi extraída através da coerção e da força", afirmou Kazmi. "Não foi uma declaração voluntária. Ele foi fisicamente torturado na prisão." Há dois outros réus no caso, os indianos Faheem Ansari e Sabauddin Ahmed, acusados de auxiliar os agressores. Ambos alegam inocência.

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