Mark Wilson/Getty Images/AFP
Mark Wilson/Getty Images/AFP

Reportagem sobre assédio motivou atirador de Annapolis

Jarrod Ramos tinha processado o jornal ‘Capital Gazette’ por difamação em 2012, mas acabou sendo derrotado

O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2018 | 09h24
Atualizado 29 de junho de 2018 | 19h59

ANNAPOLIS, EUA - Jarrod Warren Ramos, o atirador que invadiu a redação do jornal The Capital Gazette em Annapolis, Maryland, e matou cinco funcionários a tiros, tinha intenção de matar o maior número de pessoas possível e se preparou para cometer o ataque, disse nesta sexta-feira a polícia local. Ramos, de 38 anos, foi preso logo após o crime e ontem foi indiciado por homicídio qualificado.

O ataque teria sido motivado pela longa disputa de Ramos com o jornal, a quem ele processou por difamação em 2012, sem sucesso.

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Formado em engenharia da computação, Ramos usou uma arma comprada legalmente há um ano, que tinha seu poder de fogo potencializado com o uso do buckshot (munição de alto impacto), acrescentou o chefe da polícia do Condado de Anne Arundel, Timothy Altomare. 

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“Essa pessoa estava preparada para entrar e atirar em outras pessoas”, afirmou William Krampf, chefe interino de polícia. Segundo ele, Ramos havia erguido uma barricada na porta de trás para impedir que as pessoas escapassem. Ele invadiu a redação após quebrar a porta de entrada e , em seguida, disparou contra os funcionários.

A maioria se escondeu atrás de mesas e cadeiras enquanto o atirador cometia os crimes. Além da arma, Ramos também portava bombas de fumaça.

A vítimas são os jornalistas Gerald Fischman, Rob Hiaasen, John McNamara e Wendi Winters, além da assistente de vendas Rebecca Smith.

 De acordo com Krampf, Ramos havia feito violentas ameaças ao jornal, a última na terça-feira. Segundo contou, um agente da polícia visitou Ramos em maio de 2013 depois de ameaças feitas contra o Capital Gazette.

A disputa com o jornal começou com uma reportagem, em 2011, que detalhava o caso de assédio de Ramos a uma ex-companheira de escola, publicada dias após ele ser condenado a uma pena de 90 dias de prisão, que acabou sendo suspensa.

O juiz ordenou que fizesse terapia e o proibiu de se aproximar da estudante, a quem ele passou a ameaçar após ser rejeitado. Segundo a estudante disse ao juiz na ocasião, Ramos achava que os dois tinham algum tipo de relacionamento que nunca existiu. “Tentei tirar essa ideia de sua cabeça, então ele se tornou agressivo e vulgar”, disse.

 

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Irritado com a matéria do Capital Gazette, Ramos entrou na Justiça em 2012 contra Eric Hartley, ex-colunista do jornal e Thomas Marquardt, então editor-chefe. No entanto, as cortes de primeira e segunda instância alegaram que Ramos não conseguiu provar que os jornalistas cometeram difamação ou publicaram mentiras durante a cobertura do caso.

 

Nesta sexta-feira, Ramos teve a primeira audiência por meio de vídeo, na qual foi indiciado por cinco assassinatos em primeiro grau. Ramos não falou nada e tampouco demonstrou qualquer tipo de emoção durante a audiência.

Apesar do trauma do ataque, os jornalistas do Capital fizeram uma edição de 40 páginas. Na capa, o título “Cinco mortos no Gazette”, com as fotos das vítimas. A página do tradicional editorial estava em branco, pois Gerald Fisherman, que o escreveu por 26 anos, estava entre os mortos. / NYT, REUTERS, AFP

 

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