REUTERS/Eric Gaillard
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Suspeito de atentado em Nice era pai de três filhos e considerado uma pessoa ‘discreta’

Mohamed Lahouaiej Bouhlel, de 31 anos, é o principal suspeito de ter atropelado e matado ao menos 84 pessoas e ferido mais de 200 na Riviera Francesa

O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2016 | 13h04

PARIS - A Polícia da França identificou nesta sexta-feira, 15, o autor do atentado em Nice, que matou ao menos 84 pessoas e feriu mais de 200. O nome do suspeito é Mohamed Lahouaiej Bouhlel, de 31 anos, de nacionalidade tunisiana. Ele tinha permissão para residir na França e trabalhava como entregador. O apartamento dele no bairro de Nice Nord está sendo investigado por oficiais franceses.

O retrato de Bouhlel apresenta grandes semelhanças com os terroristas que cometeram outros atentados que sacudiram a França no último um ano e meio, desde o massacre na redação da revista Charlie Hebdo, em janeiro de 2015.

Os depoimentos de moradores da região divulgados pela imprensa local mostram um homem com antecedentes criminais por atos violentos - especificamente violência doméstica -, roubo e outros crimes menores, embora não estivesse no radar dos serviços antiterroristas. Há apenas 15 dias, entrou na mira da Justiça, segundo o canal BFM TV, por ter dormido ao volante.

Bouhlel estava se divorciando e tinha problemas com sua família na Tunísia, supostamente originária de Sousse, onde há um ano 38 turistas morreram em um atentado nas praias de dois hotéis.

Ele começou o jejum do mês do Ramadã, mas não chegou a terminar. Segundo vizinhos, ele gostava de temperos e de frequentar casas noturnas com mulheres. Os depoimentos também relatam que ele recebeu permissão para dirigir veículos pesados há poucas semanas e que passava por dificuldades financeiras.

Pai de três filhos, o homem não era uma pessoa conhecida por suas convicções religiosas. Seus vizinhos comentam que era uma pessoa muito "discreta e silenciosa", que vestia frequentemente bermuda e que costumava andar de bicicleta e em uma pequena caminhonete que estacionava perto do apartamento.

A investigação tenta determinar agora se Bouhlel atuou sozinho - como os chamados "lobos solitários" - ou se contou com a ajuda de cúmplices.

O caminhão utilizado no massacre foi alugado na segunda-feira por ele mesmo com documentação válida, segundo a emissora pública France 2. Uma empresa de Saint-Laurent-du-Var, a poucos quilômetros ao oeste de Nice, forneceu o veículo ao suposto terrorista, que atuou, segundo todos os indícios, de forma premeditada.

Dentro do caminhão ele carregava uma arma curta de calibre 7.65, que utilizou antes de ser abatido pelos policiais, além de várias armas longas e uma granada de mão, que eram falsas. Também foram descobertos um cartão de crédito e um telefone celular que podem ajudar nas investigações. / EFE

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