Suspeito de atentado explica bombas usadas em Bali

Um dos principais suspeitos dos atentados de 12 de outubro do ano passado contra Bali pediu desculpas aos familiares das vítimas nesta terça-feira e mostrou a policiais e jornalistas como ele e seus comparsas teriam montado os artefatos explosivos que causaram a morte de 192 pessoas, turistas estrangeiros em sua maioria.Depois de vestir um cinturão explosivo falso sobre seu uniforme de prisioneiro durante a reconstituição do crime, Ali Imron conduziu uma estranha entrevista coletiva na sede local da polícia federal indonésia, onde confessou ter coordenado os ataques contra as casas noturnas Sari Club e Paddy´s Bar.Em alguns momentos, Imron comportou-se mais como apresentador de um programa de televisão do que como o coordenador confesso de um atentado que deixou quase 200 mortos.Ele falou de seus conhecimentos sobre a confecção de bombas e, em seguida, manifestou remorso pelo crime atribuído ao grupo Jemaah Islamiyah, com aparentes laços com a rede extremista Al-Qaeda, liderada pelo milionário saudita no exílio Osama bin Laden."Como indonésios, nossa capacidade é algo de que deveríamos nos orgulhar, mas a utilizamos para o objetivo errado", disse Imron, que garantiu ter aprendido a produzir bombas no Afeganistão e admitiu ter ajudado a planejar os atentados de 12 de outubro."Espero que não tenha pairado nenhuma dúvida sobre quem realmente realizou as explosões em Bali", declarou. "Do fundo do meu coração, lamento tudo isso. Gostaria de pedir desculpas aos familiares das vítimas, na Indonésia e no exterior."A polícia federal indonésia já deteve 29 supostos membros da Jemaah Islamiyah após os atentados, inclusive Ali Imron. No entanto, os agentes vêm encontrando dificuldade para convencer o público de que um grupo de indonésios planejou e executou as explosões, apesar das confissões de muitos dos suspeitos.Como resultado disso, desde dezembro os policiais têm conduzido diversas reconstituições com o intuito de mostrar como os atentados foram arquitetados.

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