Suspeito de Boston teve influência de amigo

Polícia busca homem identificado apenas como 'Misha', que teria levado Tamerlan ao jihadismo

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2013 | 02h04

O FBI, a polícia federal dos EUA, procurava ontem desvendar a identidade de "Misha", um amigo de Tamerlan Tsarnaev - um dos suspeitos do atentado de Boston do dia 15, morto três dias depois - que o teria influenciado a seguir os princípios extremistas islâmicos.

Misha teria origem armênia, segundo o tio dos suspeitos, Ruslan Tsarni. Elmirza Khozhgov, ex-cunhado de Tamerlan, disse ter apresentado um ao outro.

Segundo o Washington Post, a CIA tinha pedido no começo de 2012 a inscrição do nome de Tamerlan no banco de dados sobre terroristas do Centro Nacional de Contraterrorismo, principal agência do governo dedicada ao tema. O pedido foi encaminhado depois de autoridades russas terem expressado preocupação com as atividades do jovem de origem chechena. O banco de dados provê informações para todas as agências federais, entre as quais a Administração de Segurança de Transportes. Seu nome estaria vinculado à ordem de não permitir viagens aéreas. Mesmo assim, ele voou para a Rússia no ano passado, onde permaneceu por seis meses.

Em paralelo, o Escritório de Saúde e Serviços Humanos do Estado de Massachusetts confirmou ontem que Tamerlan havia recebido o seguro-desemprego até o final de 2012. O benefício foi suspenso quando a mulher dele, a americana Katherine Russell, começou a trabalhar como enfermeira de idosos. Enquanto tenta juntar mais informações sobre Tamerlan, de 26 anos, e o irmão dele Dzhokhar, de 19, as autoridades dos EUA homenageiam as vítimas do atentado. Uma cerimônia no câmpus do Massachusetts Institute of Technology (MIT), em Cambridge, tornou o agente de segurança Sean Collier, de 26 anos, mártir da tragédia de Boston. A presença de Joe Biden, vice-presidente dos EUA, reforçou essa conotação.

Collier foi morto na quinta-feira na troca de tiros com os irmãos Tsarnaev. Tornou-se o quarto morto da tragédia. Três pessoas morreram e 176 ficaram feridas nas duas explosões.

Dzhokhar recupera-se num hospital de Boston, onde foi indiciado como terrorista pela Justiça Federal dos EUA há dois dias. Dzhokhar está sujeito a prisão perpétua ou pena de morte.

Ainda ontem, foi tomado o depoimento de Zubeidat Tsarnaev, mãe dos dois suspeitos, na capital do Daguestão. Ela foi interrogada por autoridades do FSB, o serviço secreto russo, e diplomatas da embaixada americana. O pai dos Tsarnaevs, Anzor, declarou-se doente e não se apresentou. Ambos insistem na inocência dos filhos e deverão embarcar hoje para os EUA para serem ouvidos pelo FBI.

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