Jaime Reina/AFP
Jaime Reina/AFP

Suspeito de corrupção, rei emérito Juan Carlos I deixa a Espanha

Rei emérito é acusado de ter recebido secretamente US$ 100 milhões da Arábia Saudita em uma conta suíça; rainha Sofia continuará vivendo no Palácio de la Zarzuela, em Madri

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2020 | 16h27
Atualizado 03 de agosto de 2020 | 18h30

MADRID - O rei emérito Juan Carlos I, alvo de uma investigação do Supremo Tribunal por corrupção, deixou a Espanha após anunciar sua decisão de "se mudar" em uma carta ao filho Felipe VI. A informação é do jornal El Mundo.

"Vossa Majestade, querido Felipe, com a mesma ânsia de servir a Espanha que inspirou meu reinado e diante da repercussão pública que certos eventos passados em minha vida privada estão gerando (...) Comunico a você minha ponderada decisão de sair nesse momento da Espanha", escreveu o soberano emérito citado em comunicado da Casa Real. 

O rei Felipe transmitiu a seu pai "seu sincero respeito e gratidão por sua decisão", segundo o comunicado da Casa Real. 

Juan Carlos, de 82 anos, indicou em sua carta que toma essa decisão de "contribuir para facilitar" o exercício das funções do monarca atual e citou  a "tranquilidade e sossego que requer sua alta responsabilidade". 

"Meu legado e minha dignidade como pessoa são o que eles exigem de mim", diz o rei emérito, que está sendo investigado por procuradores suíços e pelo Supremo Tribunal espanhol sobre os supostos fundos em paraísos fiscais de supostas comissões. 

O comunicado é concluído com um parágrafo em que o rei "deseja enfatizar a importância histórica do reinado de seu pai, como um legado e trabalho político e institucional de serviço à Espanha e à democracia; e ao mesmo tempo ele quer reafirmar os princípios e os valores em que se baseia, dentro da estrutura de nossa Constituição e do resto do sistema jurídico". 

Seis anos após sua abdicação, o rei emérito está em uma situação muito difícil. A justiça, na Suíça e na Espanha, investiga a origem de US$ 100 milhões que Juan Carlos teria secretamente recebido da Arábia Saudita em uma conta suíça em 2008.

O Supremo Tribunal espanhol anunciou em junho a abertura da investigação para determinar sua eventual responsabilidade em um caso iniciado em 2018, quando em gravações atribuídas à sua ex-amante Corinna Larsen, ela assegurava que Juan Carlos teria cobrado uma comissão pela adjudicação de um contrato para a construção da linha ferroviária de alta velocidade na Arábia Saudita.

Rainha Sofia continuará em Madri   

A decisão do rei de morar fora do país não mudará a situação de sua mulher, a rainha Sofia, que manterá residência no Palácio de la Zarzuela, em Madri, e as atividades institucionais.

A rainha foi deixada de fora das controvérsias envolvendo o marido porque não tem nenhuma relação com os supostos negócios dos quais Juan Carlos pode ter participado, informaram nesta segunda-feira fontes da Casa Real espanhola.

Juan Carlos I e Sofia estão afastados no plano sentimental há vários anos, embora tenham continuado a viver em Zarzuela como membros da família real após a abdicação dele em favor do filho.

A rainha Sofia sempre foi uma referência para seu filho Felipe VI, que reconheceu isso em público em várias ocasiões. A última delas foi em dezembro de 2018, por ocasião das homenagens pelo 40º aniversário da Constituição, quando elogiou "o apoio permanente e comprometido" de sua mãe um mês após seu aniversário de 80 anos.

Em maio de 2017, ele também expressou "reconhecimento e admiração" pelo "grande exemplo" que ela deu e pela "humanidade e compromisso" demonstrados em favor dos mais desfavorecidos.

Desde a abdicação de Juan Carlos I, o papel público da rainha Sofia diminuiu, embora, além de sua atividade como parte da família real, ela tenha continuado a mostrar o lado solidário, apoiando iniciativas como a luta contra a poluição nos mares./AFP e EFE

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