Jean-Paul Pelissier/Reuters
Jean-Paul Pelissier/Reuters

Suspeito de crimes em Toulouse era monitorado por autoridades

Ministro do Interior francês confirmou que os serviços secretos do país monitoravam suspeito de ter matado sete pessoas

BBC

21 Março 2012 | 10h09

PARIS - O francês de origem argelina Mohamed Merah, de 24 anos, suspeito de ter matado quatro pessoas em uma escola judaica em Toulouse e três militares em outro ataque, estava sendo investigado havia vários anos pelos serviços secretos da França, declarou nesta quarta-feira, 21, o ministro do Interior, Claude Guéant.

 

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"O homem estava sob investigação da direção central dos serviços de inteligência há bastante tempo por seu engajamento e radicalização salafista", disse o ministro.

Os salafistas são considerados fundamentalistas, que aplicam a sharia - a lei islâmica - de maneira radical. Eles defendem o retorno do islã às suas origens, baseado na aplicação rigorosa do Corão.

O jovem teria também ligações com pessoas ligadas à jihad - a "guerra santa", segundo Guéant.

"Mas nada permitia pensar que ele estivesse a ponto de cometer atos criminais", acrescentou o ministro, afirmando ainda que as autoridades francesas "têm certeza" de que o jovem é o autor dos ataques contra a escola judaica na segunda-feira e contra militares na semana passada.

Surpresa

A notícia de que o suspeito estava sendo investigado há anos pelos serviços secretos surpreendeu e está sendo bastante comentada na França. Mas o ministro não afirmou se as informações obtidas com esse monitoramento poderiam ter evitado os ataques.

"Nós sabemos, e é por isso que ele estava sendo investigado, que ele fez viagens ao Paquistão e ao Afeganistão".

Um dos irmãos do suspeito, que está detido e sendo interrogado, também "é conhecido por ter posições radicais" islâmicas, disse Guéant.

Al-Qaeda

A polícia de elite fechou o cerco à casa do suspeito nesta madrugada. Segundo o ministro, o jovem afirmou aos policiais ter ligações com a rede Al Qaeda e disse que quis vingar a morte de crianças palestinas e punir a França por sua intervenção militar no Afeganistão.

O ministro do Interior afirmou ainda que Merah tem ficha na polícia por "vários crimes de direito comum", cerca de uma dezena, alguns deles cometidos com o uso da violência.

Guéant não especificou os crimes "de direito comum", mas estima-se que ele se referia, por exemplo, a roubos. Sabe-se que ele foi condenado a um mês de prisão por ter digirido sem carteira. O ministro disse que ainda não é possível determinar se o suspeito pertence a uma organização salafista. "O que é certo é que em cada um dos ataques ele agiu sempre sozinho", afirmou Guéant.

Armas

Vizinhos do suspeito, que mora em Toulouse, no sudoeste da França, dizem que ele parecia alguém integrado à sociedade.

"Ele é uma pessoa extremamente determinada", disse o ministro. O perfil do autor dos ataques, realizados por especialistas criminais, descrevem uma pessoa fria e organizada, que preparou meticulosamente as ações, e também ousada, já que os disparos ocorreram todos à luz do dia e em áreas movimentadas.

O jovem também possui inúmeras armas, segundo o ministro, como fuzis Kalaschnikov AK-47 e Uzi. A revista Le Point afirma que o jovem teria tentado se inscrever na Legião Estrangeira, mas teria sido recusado. Ele trabalharia em uma oficina de conserto de carros.

A família do suspeita está detida e sob interrogatório. A mãe de Merah foi levada ao local do cerco, mas não quis falar com o filho, alegando que ele "não a ouviria".

 

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