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Suspeito de liderar massacre no sul das Filipinas se entrega

Filho de governador alega inocência sobre envolvimento com sequestro e morte de mais de 50 pessoas

estadao.com.br,

26 Novembro 2009 | 04h16

O herdeiro de um poderoso clã suspeito do massacre de 57 pessoas de uma caravana eleitoral no sul das Filipinas entregou-se às autoridades nesta quinta-feira, 26. Andal Ampatuan Jr., filho do governador de mesmo nome, se rendeu ao assessor presidencial Jesús Dureza na capital provincial de Maguindanao horas depois que fossem detidos pelo menos 20 de seus pistoleiros ligados ao massacre. "Me entreguei para provar que não estava me escondendo e que não sou culpado", disse o suspeito à rede de televisão GMA.

 

Entre as vítimas do massacre de segunda-feira estão a esposa, parentes e dezenas de jornalistas e apoiadores de Esmael Mangudadatu, candidato a governador que pretendia desafiar o clã dos Ampatuan. Há anos o grupo vem governando sem oposição a província de Maguindanao.

 

O general Raymundo Ferrer disse que Andal Ampatuan Jr., prefeito que supostamente barrou o comboio com quatro oficiais da polícia e dezenas de policiais e milicianos pró-governo, rendeu-se ao assessor presidencial Jesus Dureza, na capital da província. A família de Ampatuan nega as denúncias de seu envolvimento nos assassinatos.

 

O ministro filipino de Interior, Ronaldo Puno, confirmou que 300 milicianos vinculados a esta família foram desarmados. As forças de segurança assumiram o controle do território governado pelo clã. Veículos blindados patrulhavam as rodovias de Maguindanao, e imagens de televisão mostraram barreiras policiais em torno dos edifícios nas principais cidades controladas pelo clã.

 

O diretor da polícia nacional, general Jesus Verzosa, disse que as forças de segurança prenderam alguns homens armados ligados ao massacre de segunda-feira, e o Exército disse que estava à procura de muitos outros suspeitos. "A maior parte do grupo armado que perpetrou este crime fugiu para a área montanhosa de Maguindanao e é lá que estamos realizando nossas operações de busca", disse o coronel Romeo Brawner, porta-voz dos militares. Ele afirmou que o Exército também dissolveu a Unidade Geográfica das Forças Armadas Civis, uma milícia sob controle da família de Andal Ampatuan Jr.

 

Os milicianos costumam ser usados pelos governos locais para ampliar as forças militares e policiais em áreas remotas, castigadas por insurgentes comunistas e islâmicos. Toda a força policial que vinha fornecendo segurança ao escritório de Ampatuan Jr. foi removida, segundo o superintendente da Polícia Nacional, Leonardo Espina.

 

O suposto chefe do massacre e dois de seus irmãos foram expulsos ontem do partido Lakas-Kampi, da presidente filipina, Gloria Macapagal Arroyo, que mantinha firme aliança política com a família.

 

Cem homens armados seqüestraram na segunda-feira de manhã mais de 50 civis, entre eles jornalistas e políticos, que iam apresentar a candidatura a governador provincial de Ismail Mangudadatu, que quer disputar o posto contra Andal Ampatuan, um poderoso chefe tribal muçulmano, temido em todo o sul da ilha de Mindanao.

 

Os pistoleiros fugiram em direção às montanhas e pouco depois os militares que saíram em sua perseguição começaram a encontrar os cadáveres, vários decapitados ou mutilados. Algumas dos corpos de mulheres apresentavam sinais de violência sexual e entre os mortos figuram vários advogados de direitos humanos, jornalistas locais e a mulher e duas irmãs de Mangudadatu, cuja família controla a província vizinha de Sultan Kudarat. Nos dias que se seguiram foram encontrados 57 corpos em até três valas comuns pela região.

 

A cerca de seis meses das eleições, que acontecem de maio de 2010, a extrema crueldade do massacre provocou fortes críticas contra a presidente Arroyo por tolerar que o país continue sendo controlado pelos clãs ou dinastias políticas, às que pertencem 160 dos 265 legisladores do atual Congresso. Mais de 900 pessoas foram assassinadas por motivos políticos nas Filipinas desde que Arroyo acedeu ao poder em 2001, segundo o grupo direitos humanos local Karapatan, que atribui a maioria dos casos à guerra suja que lideram as forças de segurança contra os rebeldes comunista.

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