Nathan Howard/Getty Images/AFP
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Suspeito de matar apoiador de Trump em Portland é morto em ação policial

Michael Forest Reinoehl, de 48 anos, era investigado no caso da morte de um apoiador do presidente americano em Portland; ele foi baleado em ação policial para prendê-lo

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2020 | 10h13

Um integrante do movimento antifascista foi morto em uma ação para prendê-lo nos arredores de Olympia, no estado de Washington, na quinta-feira, 3. Michael Forest Reinoehl, de 48 anos, era o principal suspeito pela morte de um ativista de extrema-direita na semana passada em Portland, no Oregon, cidade que tem registrado protestos antirracistas. 

“A força-tarefa localizou Reinoehl em Olympia e tentou prendê-lo pacificamente”, informou Jurgen R. Soekhoe, porta-voz da US Marshals, em um comunicado. “Os relatórios iniciais indicam que o suspeito tinha uma arma de fogo, ameaçando a vida de policiais. Os membros da força-tarefa responderam à ameaça e agrediram o suspeito que foi declarado morto no local.” A cidade fica a cerca de duas horas de Portland. 

Os agentes de segurança estavam tentando levar Reinoehl sob custódia pela conexão com a morte de Aaron J. Danielson, de 39 anos, no sábado 29, após confrontos entre apoiadores do presidente Donald Trump e apoiadores do movimento Black Lives Matter. Naquele dia, manifestantes entraram em confronto nas ruas com pessoas atirando armas de paintball da caçamba de caminhonetes e outros jogando objetos contra eles.

Após a morte de Reinoehl na quinta, manifestantes em Portland se reuniram em frente a uma delegacia de polícia em um bairro residencial entoando slogans de justiça racial como fazem na maioria das noites desde maio. Nas redes sociais, escreveram que havia "sangue nas mãos da polícia" e que Reinoehl foi assassinado. 

Em uma entrevista ao Vice News na quinta, Reinoehl parecia admitir o tiroteio de 29 de agosto ao dizer que "não teve escolha". Ele morava em Portland e era presença frequente nas manifestações da cidade nas últimas semanas, ajudando os manifestantes com questões de segurança e sugerindo nas redes sociais que a luta estava se tornando uma guerra onde “haverá vítimas”.

Reinoehl disse que agiu em legítima defesa, acreditando que ele e um amigo estavam prestes a ser esfaqueados. “Eu poderia ter sentado lá e assistido eles matarem um amigo meu de cor, mas eu não faria isso”, disse ele.

“Eu sou 100% ANTIFA o tempo todo!”, postou no Instagram em junho, referindo-se a um grupo de ativistas que se mobilizaram para se opor a grupos que consideram fascistas ou racistas. “Estou disposto a lutar pelos meus irmãos e irmãs! Mesmo que alguns sejam muito ignorantes para perceber o que antifa realmente significa. Não queremos violência, mas também não vamos fugir dela!" 

Dias após a morte de Floyd, Reinoehl começou a postar sobre a necessidade de mudança. “As coisas estão ruins agora e só podem piorar”, postou ele em 3 de junho. “Mas é assim que ocorre uma mudança radical”.

Protestos mais agressivos

O uso de armas nos protestos tem feito manifestantes nos EUA temerem uma fase ainda mais agressiva dos atos, já que há confrontos ocorrem entre grupos com visões totalmente diferentes sobre como manter as cidades americanas seguras. Conflitos violentos entre os dois lados estouraram nas últimas duas semanas, deixando ao menos três pessoas mortas. 

As disputas ocorrem três meses depois que George Floyd foi morto pela polícia de Minneapolis, motivando protestos por todo o país, e dias depois do caso de Jacob Blake, um homem negro baleado pela polícia sete vezes em uma ação policial em Kenosha, no Winsconsin. Enquanto isso, o país se prepara para uma eleição que politiza as ações policiais e os movimentos antirracistas.    / NYT e W. Post 

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