Suspeito de Mumbai pede encontro com diplomata do Paquistão

Chanceler indiano critica reação internacional aos ataques; para ele, pressão sobre Islamabad foi inadequada

Agência Estado e Associated Press,

22 de dezembro de 2008 | 14h30

O governo da Índia afirmou que o homem acusado de ser o único dos agressores dos ataques em Mumbai vivo pediu para se encontrar com diplomatas paquistaneses. O Ministério das Relações Exteriores indiano sustentou que o suspeito Mohammed Ajmal Kasab escreveu uma carta na qual diz que ele e os outros nove militantes envolvidos na ação são cidadãos paquistaneses.   Veja também: Índia acusa Paquistão de fugir da culpa por ataque a Mumbai   Kasab é o único acusado que sobreviveu ao confronto de três dias com a polícia. Autoridades do Paquistão disseram que a carta está sendo examinada. O ministro de Relações Exteriores da Índia, Pranab Mukherjee, também criticou a reação internacional aos ataques do mês passado em Mumbai. Para o ministro, a pressão colocada sobre o Paquistão pelos líderes mundiais foi inadequada.   Mukherjee disse que queria ver mais resultados nas tentativas lideradas pelos Estados Unidos para forçar o Paquistão a cooperar nas investigações do ataque. O governo indiano atribuiu as ações em Mumbai a militantes sediados em território paquistanês. "Houve algum esforço até agora da comunidade internacional, porém isso não é o suficiente", afirmou Mukherjee durante um encontro com embaixadores em Nova Délhi. Mais de 160 pessoas morreram nos ataques na capital financeira da Índia.   Questionado sobre a possibilidade de uma ação militar, Mukherjee afirmou que a Índia iria "explorar todas as opções" para levar o Paquistão a cumprir sua promessa de confrontar o terrorismo em seu território. Mukherjee disse que seu país "até agora agiu com a máxima moderação". "Enquanto nós continuamos a persuadir a comunidade internacional e o Paquistão, nós também temos certeza que ao fim somos nós que devemos lidar com o problema."   O primeiro-ministro paquistanês, Yousaf Raza Gilani, reiterou nesta segunda-feira que seu país não quer a guerra. Porém ressaltou que o Paquistão está pronto para se defender, em caso de ataque. Em comunicado, Gilani afirmou que "o desejo do Paquistão pela coexistência pacífica não deve ser tomado como fraqueza."   A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, estão entre as autoridades mundiais que visitaram a região desde os violentos ataques. Ambos tentaram diminuir a tensão entre os países, que possuem armas nucleares, e persuadir Islamabad a lidar com os grupos militantes em seu território.   O ministro indiano disse esperar que o Paquistão cumpra o que se comprometeu a fazer após os ataques "como um membro responsável da comunidade de nações". Porém notou uma "política de negação" entre autoridades desse país e disse que os militantes no Paquistão continuam "a ameaçar a paz e a estabilidade nesta região e além". O Paquistão já disse que não entregará suspeitos a autoridades indianas, mas sim que eles serão julgados no próprio país. Também rejeitou as alegações de que os homens armados tenham partido do solo paquistanês.   Nova Délhi aponta como responsável pela ação em Mumbai o grupo militante Lashkar-e-Taiba, que luta na área da Caxemira administrada pela Índia. Sob pressão da ONU, o Paquistão baniu o Jamaat-ud-Dawa, uma das maiores entidades de caridade do país, acusada de ser uma fachada para o Lashkar. A Índia e o Paquistão lutaram três guerras desde a independência de ambos da Grã-Bretanha, em 1947.   O Lashkar já foi banido do Paquistão, porém a Índia acusa o vizinho de não combater o grupo, que mantinha no passado relações com os poderosos serviços de inteligência paquistaneses e com a rede extremista Al-Qaeda. Na semana passada, Mukherjee afirmou que o frágil processo de paz entre a Índia e o Paquistão havia sido prejudicado, por causa dos ataques em Mumbai.  

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