AFP PHOTO / POLICE NATIONALE
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Suspeito de planejar ataques em Paris se recusa a falar perante Justiça francesa

Advogado de Salah Abdeslam disse que ele está ‘particularmente perturbado’ pelas condições a que está submetido na prisão, onde é monitorado por um circuito de TV interno

O Estado de S. Paulo

20 Maio 2016 | 11h18

PARIS - O suspeito de envolvimento nos atentados de 2015 em Paris Salah Abdeslam se apresentou ao principal tribunal de Paris nesta sexta-feira, 20, para sua primeira audiência perante juízes franceses, mas se recusou a falar.

O advogado de Abdeslam, Frank Berton, disse em abril que o homem nascido na Bélgica com nacionalidade francesa iria falar na audiência, o que não aconteceu. A audiência foi breve, após se tornar claro que ele ficaria em silêncio.

"Desde o início ele deixou claro que iria exercer seu direito ao silêncio, se recusando a responder às perguntas", disse um porta-voz da Procuradoria.

Berton explicou aos veículos de imprensa no Palácio de Justiça de Paris que o comparecimento de seu cliente tinha terminado, que não queria prestar depoimento perante o juiz e que faria isso mais adiante.

Transferido da Bélgica para Paris em 27 de abril, Abdeslam está preso em cela solitária em uma prisão de segurança máxima em Fleury-Merogis, região parisiense, monitorado por circuito interno de TV.

Sobre as razões de sua recusa de responder às perguntas do instrutor, o advogado explicou que o suposto terrorista estava "particularmente perturbado" pelas condições de vídeo-vigilância a qual está submetido na prisão. Berton disse que tem intenção de escrever ao ministro da Justiça para que modifique o dispositivo de vigilância, que em sua opinião é "ilegal".

Investigadores acreditam que Abdeslam é o único sobrevivente do grupo de militantes islâmicos que matou 130 pessoas em uma série de ataques a tiros e bombas em 13 de novembro em Paris.

Abdeslam, de 26 anos, era o fugitivo mais procurado da Europa até sua captura em Bruxelas em 18 de março, após quatro meses de buscas. Ele foi levado de helicóptero para Paris sob guarda armada.

França. A Justiça francesa solicitou a entrega de quatro suspeitos detidos na Bélgica, no âmbito da investigação sobre os atentados de 13 de novembro em Paris, informaram diferentes fontes à agência de notícias France-Press. Desses quatro, três são suspeitos de terem ajudado na fuga de Salah Abdeslam.

Emitidos no fim de abril, os mandados de prisão europeus são referentes a Mohamed Amri e Hamza Attou, que levaram Abdeslam a Bruxelas algumas horas após os atentados na capital francesa, Ali Oulkadi, que o levou à capital belga em 14 de novembro, e a uma quarta pessoa que não teve sua identidade revelada. Os mandados agora devem ser notificados aos envolvidos para que se inicie o processo de sua extradição à França.

Bélgica. Investigadores belgas fizeram na quinta-feira uma reconstituição em um imóvel de Schaerbeek, de onde três radicais partiram em 22 de março, anunciou o Ministério Público belga. Dois deles se explodiram no Aeroporto Internacional de Bruxelas.

Realizada sob forte esquema de segurança, a reconstituição durou cerca de duas horas e "transcorreu sem incidentes", disse o Ministério em um curto comunicado, acrescentando que "no interesse das investigações em curso, nenhum detalhe será dado sobre seu desenvolvimento, ou resultados" da operação.

O apartamento, localizado na rua Max Roos - que teve sua circulação proibida ao público -, foi de onde os três suspeitos saíram em 22 de março de táxi rumo ao aeroporto de Bruxelas. Dois deles, Najim Laachroui e Ibrahim el-Bakraoui, se explodiram.

Os atentados de 22 de março na capital belga deixaram 32 mortos e mais de 300 feridos no aeroporto e na estação de metrô de Maelbeek. /Reuters, EFE e AFP

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