Suspeito disse querer 'morrer de armas na mão', diz ministro francês

Segundo ministro do Interior, não houve contato com Mohammed Merah, sitiado em Toulouse, desde a noite de quarta-feira.

BBC Brasil, BBC

22 de março de 2012 | 07h36

O homem suspeito pelos recentes ataques contra militares e uma escola judaica no sul da França afirmou querer "morrer de armas na mão", segundo afirmou nesta quinta-feira o ministro do Interior do país, Claude Guéant.

A polícia francesa mantém pelo segundo dia o cerco ao edifício em Toulouse onde está o suspeito, o francês de origem argelina Mohammed Merah, de 23 anos.

Segundo Guéant, não houve contatos com o suspeito desde a noite de quarta-feira e não se sabe nem mesmo se ele ainda está vivo.

Durante a madrugada, a polícia realizou uma série de explosões para aumentar a pressão sobre Merah e forçá-lo a se render.

"Temos uma prioridade: tirá-lo vivo para que ele possa enfrentar a Justiça. Esperamos que ele ainda esteja vivo", disse Guéant em entrevista a uma rádio local.

Ele disse, porém, que era "muito estranho" que ele não tenha reagido às explosões durante a noite.

"Ouvimos dois tiros que não sabíamos de onde vinham", afirmou. "Apesar dos esforços redobrados durante a noite, não houve contato com ele", disse.

Armamentos

Após as primeiras explosões durante a madrugada, o vice-prefeito de Toulouse, Jean-Pierre Havin, afirmou à mídia local que "as negociações terminaram e a invasão começou", mas fontes do Ministério do Interior disseram depois que era apenas o começo da operação para pressionar Merah a se entregar.

Segundo as autoridades, ele está fortemente armado com uma metralhadora Kalashnikov, uma pistola mini-Uzi 9 milímetros, vários revólveres e possivelmente granadas.

Policiais chegaram a entrar no apartamento na madrugada de quarta-feira, mas foram recebidos a tiros e recuaram. Dois policiais ficaram feridos.

O prédio de cinco andares onde Merah está foi esvaziado, assim como os edifícios no entorno.

Segundo a polícia, ainda há uma operação em curso em outros locais da cidade em busca de possíveis cúmplices. Outros membros da família de Merah foram detidos em meio ao cerco.

A mãe do suspeito foi levada ao local na quarta-feira de manhã para tentar convencer o filho a se entregar, mas ela afirmou à polícia que não tinha influência sobre ele.

Mensagens conflitantes

Segundo as autoridades envolvidas no caso, Merah teria dado mensagens conflitantes sobre a possibilidade de se render.

"Ele explicou que não é suicida e que não tem a alma de um mártir e prefere matar, mas permanecer vivo", disse o promotor François Molins.

Molins afirmou na quarta-feira que Merah planejava novos ataques.

"Se ele está dizendo a verdade, teria deixado essa casa de manhã e teria novamente matado qualquer soldado que encontrasse", afirmou Molins.

Molins afirmou que o suspeito não expressou remorsos pelas mortes e disse que queria matar mais pessoas para "deixar a França de joelhos".

Merah teria afirmado querer "vingar crianças palestinas" e protestar contra os "crimes da França" no Afeganistão.

Ele disse ter recebido treinamento da Al Qaeda no Paquistão e também ter passado pelo Afeganistão.

'Lobo solitário'

O ministro do Interior francês defendeu o trabalho dos serviços de inteligência, criticados por não conseguir prevenir os ataques, e descreveu Merah como um "lobo solitário".

"A agência de inteligência doméstica monitora muitas pessoas envolvidas com o radicalismo islâmico. Expressar ideias não é suficiente para levar alguém à Justiça", afirmou.

Christian Etelin, um advogado que havia representado anteriormente Merah, afirmou que seu cliente tem tendências violentas.

"Ele tinha sua religiosidade, um ódio crescente contra os valores da sociedade democrática e um desejo de impor o que ele acredita ser a verdade", afirmou Etelin.

O advogado também negou os relatos de que Merah teria sido preso no Afeganistão por manipular explosivos, dizendo que no período alegado, entre dezembro de 2007 e setembro de 2009, ele estaria preso na França por roubo.

Divisões

Os corpos das quatro vítimas do ataque à escola na segunda-feira - um rabino e três crianças - foram enterrados na quarta-feira em um cemitério de Jerusalém, em Israel.

O ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, acompanhou a cerimônia.

No dia 11 de março, o suspeito teria matado um soldado com o qual marcou um encontro dizendo que queria comprar sua motocicleta.

Dias depois, dois soldados foram mortos e um terceiro foi ferido enquanto aguardavam em um caixa eletrônico.

Em pronunciamento na quarta-feira, antes de se encontrar com lideranças judaicas e muçulmanas em Paris, o presidente Nicolas Sarkozy afirmou que os atentados não devem servir de desculpas para atos de vingança ou preconceito.

Segundo o presidente, atos de terror não conseguirão dividir a França, que abriga as maiores comunidades judaica e muçulmana da Europa.

"O terrorismo não conseguirá fraturar nossa comunidade nacional", afirmou. "Eu digo a toda a nação que precisamos ficar unidos", disse ele. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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