Suspeito por ataque em Mumbai volta atrás em confissão

O paquistanês Mohammed Ajmal Amir Kasab, acusado de ser um dos dez militantes que atacaram Mumbai no ano passado, voltou atrás hoje em sua confissão. Após ter admitido os crimes anteriormente, agora Kasab disse que foi forçado a assumir sua participação. O suspeito afirmou que não estava presente na principal estação ferroviária de Mumbai, onde ele é acusado de abrir fogo contra a multidão, em 26 de novembro. O ataque no local resultou em 52 mortes e mais de 100 feridos.

AE, Agencia Estado

18 de dezembro de 2009 | 09h23

"Eu não sei o que ocorreu. Vieram testemunhas e me reconheceram porque minha cara é parecida com os terroristas", afirmou ele a um juiz da corte especial da prisão em Mumbai na qual ele é mantido e julgado. "Eu fui forçado a confessar." O promotor Ujjwal Nikam rechaçou a nova versão de Kasab. Na opinião de Nikam, há provas suficientemente robustas para garantir a condenação do réu.

Kasab, de 22 anos, enfrenta uma série de acusações no ataque orquestrado contra diversos alvos na capital financeira indiana. Caso condenado, ele pode ser executado. No total, 166 pessoas morreram nos atentados, incluindo 25 estrangeiros. Mais de 300 ficaram feridas. Nove dos agressores também morreram.

No início do julgamento, em abril, ele disse ser inocente. Em julho, fez uma chocante confissão, relatando que foi um dos dois homens que abriram fogo na estação ferroviária. Também contou como o grupo foi treinado pelo grupo paquistanês Lashkar-e-Taiba. Pediu, ainda, uma pena rápida. "Por favor, vá em frente e me enforque", afirmou ele ao juiz.

A promotoria apresentou filmagens do sistema de segurança e fotografias da imprensa que, segundo o órgão, atestam a presença de Kasab e seu cúmplice, Abu Ismail, com rifles AK-47 no local. Também há provas como impressões digitais e amostras de DNA de Kasab.

O paquistanês afirmou hoje que a polícia disse às testemunhas para apontá-lo como culpado. Ele disse que chegou a Mumbai - sede da indústria cinematográfica de Bollywood - 20 dias antes do atentado para "ver filmes". As informações são da Dow Jones.

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