Suspeito por ataques em Mumbai volta atrás em confissão

Acusado de participar de ataque que deixou 52 mortos em 2008 alega ter confessado autoria sob tortura

AE,

18 de dezembro de 2009 | 09h56

O paquistanês Mohammed Ajmal Amir Kasab, acusado de ser um dos dez militantes que atacaram Mumbai no ano passado, voltou atrás em sua confissão dos crimes, nesta sexta-feira. Após ter confessado os crimes anteriormente, agora Kasab disse que foi forçado sob tortura a assumir a participação.

O suspeito afirmou que não estava presente na principal estação ferroviária de Mumbai, onde ele é acusado de abrir fogo contra a multidão em 26 de novembro. O ataque no local resultou em 52 mortes e mais de 100 feridos.

"Eu não sei o que ocorreu. Vieram testemunhas e me reconheceram, porque minha cara é parecida com os terroristas", garantiu ele a um juiz da corte especial da prisão em Mumbai onde ele é mantido e julgado. "Eu fui forçado a confessar", afirmou.

Kasab, de 22 anos, enfrenta uma série de acusações, no ataque orquestrado contra uma série de alvos na capital financeira indiana, Mumbai, entre elas homicídio e tentativa de homicídio.

Caso condenado, ele pode ser executado. No total, 166 pessoas morreram nos ataques, incluindo 25 estrangeiros. Mais de 300 ficaram feridas. Nove dos agressores também morreram.

 

Kasab é originário de Faridkot, no Punjab paquistanês. No início do julgamento, em abril, ele disse ser inocente. Em julho, fez uma chocante confissão, relatando que foi um dos dois homens que abriram fogo na estação ferroviária. Também contou como o grupo foi treinado pelo proscrito grupo paquistanês Lashkar-e-Taiba, e ainda pediu uma pena rápida. "Por favor, vá em frente e me enforque", afirmou ele ao juiz.

A promotoria apresentou filmagens do sistema de segurança e fotografias da imprensa, que segundo ela comprova a presença de Kasab e seu cúmplice, Abu Ismail, com rifles AK-47 no local. Também há provas como impressões digitais e amostras de DNA de Kasab.

Nesta sexta-feira, Kasab afirmou que a polícia disse às testemunhas para apontá-lo como culpado. Ele disse que chegou a Mumbai - sede da indústria cinematográfica de Bollywood - 20 dias antes de 26 de novembro, para "ver filmes". Kasab garantiu que foi preso pela polícia quando estava em uma praia, em um subúrbio ao norte da cidade.

O promotor Ujjwal Nikam rechaçou a nova versão de Kasab. Na opinião de Nikam, há provas suficientemente robustas para garantir a condenação do réu.

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