Avianca/Divulgacao
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Suspeito sírio foi barrado pela PF em maio

Em maio, ele foi barrado pela Polícia Federal na cidade de Chuí, no Rio Grande do Sul, que faz fronteira com o Uruguai – onde ele foi acolhido como refugiado depois de ser libertado, em 2014, da prisão na base americana de Guantánamo

Andreza Matais e Luísa Martins / BRASÍLIA, O Estado de S. Paulo

06 de julho de 2016 | 21h10

O sírio Jihad Ahmad Deyab tentou ingressar no Brasil no primeiro semestre deste ano, segundo fontes que trabalham no setor de inteligência do governo federal. Em maio, ele foi barrado pela Polícia Federal na cidade de Chuí, no Rio Grande do Sul, que faz fronteira com o Uruguai – onde ele foi acolhido como refugiado depois de ser libertado, em 2014, da prisão na base americana de Guantánamo.

Na última semana, com base em informações recebidas pela divisão antiterrorismo da Polícia Federal (PF), a companhia aérea Avianca divulgou alerta chamando a atenção sobre a possibilidade de Deyab ter novamente saído do Uruguai em direção ao Brasil. As companhias Gol e Latam afirmaram que também estão monitorando a presença do homem de 44 anos em território nacional. O caso foi revelado pela Coluna do Estadão.

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou nesta quarta-feira, 6, que “confia no serviço de informações” do governo. Ainda nesta semana, deve ocorrer uma reunião entre todos os órgãos de inteligência do País para discutir o assunto e fortalecer o acompanhamento de suspeitos de serem lobos solitários no Brasil. Há uma preocupação especial em razão dos Jogos Olímpicos, que começam em agosto no Rio de Janeiro.

A PF informou que está atuando no tema, mas não há indícios de que o sírio tenha ingressado em território brasileiro. Deyab, que é suspeito de ter atuado em operações terroristas do grupo Al-Qaeda no Magreb Islâmico e trabalhado como recrutador na Europa, está desaparecido há mais de duas semanas. 

A Embaixada dos EUA em Montevidéu coopera para descobrir o paradeiro do sírio. O encarregado de negócios da embaixada, Bradley Freden, disse que as fronteiras com o Brasil são “muito porosas” e, por isso, Deyab pode ter saído sem que houvesse registro.

 

 

Deyab foi camelô na Arábia Saudita e vendeu mel no Paquistão

Jihad Ahmed Deyab, filho de um sírio e uma argentina, nasceu em outubro de 1971 no Líbano. Segundo relatório da prisão americana em Guantánamo enviado ao Departamento de Estado dos EUA - divulgado entre a série de documentos secretos que o site WikiLeaks começou a publicar em abril de 2011 - Deyab foi acusado de pertencer a uma célula terrorista desmantelada na Síria e de ter ligação com importantes membros da Al-Qaeda - como Abu Musab al-Zarqawi - e de outros grupos jihadistas.

Deyab serviu no Exército sírio entre 1991 e 1993. Entre 1997 e 1998 morou na Arábia Saudita vendendo de porta em porta mercadorias que havia comprado por atacado na Síria. Em 1998 voltou à Síria onde trabalhou como motorista de caminhão até 2000. Em maio desse ano, conheceu Abu Jafar al-Iraqi que o aconselhou a se mudar para o Paquistão, onde haveria mais oportunidades de trabalho. Como não conseguiu visto para o Paquistão, viajou com a família para o Irã, onde conheceu Ibrahim Zubair, que conseguiu levar Deyab para Peshawar, onde ele abriu um comércio para venda de mel.

Em julho de 2000 mudou-se com a família para Cabul, no Afeganistão, onde o Taleban lhe teria arrumado um apartamento de graça. Em dezembro de 2001, após o início da ofensiva americana, Deyab mudou-se com a família para o Paquistão, onde dividiu uma casa - de propriedade de Nur Zaman, facilitador da al-Qaeda - com outros suspeitos em Lahore até ser detido pela polícia paquistanesa em 1º de abril de 2002.

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