Heinz-Peter Bader
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Suspeitos de morte de 71 imigrantes em caminhão são levados à corte na Hungria

ONU acusa União Europeia de viver 'crise de solidariedade'

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

29 de agosto de 2015 | 11h21

GENEBRA - As quatro pessoas suspeitas de envolvimento na morte de 71 imigrantes numa estrada da Áustria foram levadas neste sábado diante de uma corte e acusadas formalmente de tráfico de seres humanos. Três búlgaros e um afegão haviam sido presos na Hungria na sexta-feira e devem ser extraditado para Viena. Apesar de tentar dar demonstrações de endurecer a repressão contra o crime organizado, os governos europeus foram denunciados pela ONU por viverem uma "crise de solidariedade". 

Os suspeitos chegaram algemados na corte da cidade húngara de Kecskemet e o procurador local pediu que o período para indiciar os supostos traficantes fosse ampliado para além das 72 horas que prevê a lei. 

O caso se transformou em um espelho da crise que vive a Europa diante do maior fluxo de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial. Mas, para a ONU, são as barreiras europeias que estão permitindo que as redes criminosas possam se proliferar. 

Ban Ki Moon, secretário-geral da ONU, pediu uma " resposta política coletiva " por parte da Europa e caminhos legais para que os imigrantes possam entrar no continente. Mas alertou que a UE vive " uma crise de solidariedade ". No mesmo dia que os 71 refugiados morreram no caminhão, mais 200 poderiam ter naufragado nas costas da Líbia. Neste sábado, eram milícias líbias quem vasculhavam as cidades costeiras em busca de traficantes para "fazer justiça". 

Criticada por ongs e pela ONU, a UE convocou uma reunião de ministros de Interior para este sábado, com a esperança de pensar em novo sistema de asilo para a Europa. Para a chanceler Angela Merkel, a crise de migração é um desafio maior para a Europa que a turbulência grega e o pior fluxo desde a 2a Guerra Mundial. 

Merkel também indicou que os líderes europeus podem se reunir de forma emergencial caso as posições dos governos se aproximem. Mas a falta de lista comuns de países que poderiam ser tratados como prioridade e sem um acordo sobre como dividir o fluxo de refugiados, a UE não dá sinais de ter uma resposta rápida ao problema. 

Ban, por sua vez, convocou uma reunião de emergência para o final de setembro, lembrando que são os conflitos armados pelo mundo que geram esse fluxo de pessoa. "A guerra na Síria acaba de se manifestar num acostamento da Europa", disse, numa referência ao caminhão com 71 pessoas.

Mas, por enquanto, o que se vê é apenas uma série de prisões de traficantes isolados, medidas criticadas por especialistas como ineficientes. Na Itália, dez pessoas foram presas ontem, assim como na Austria, Bulgária e Sérvia. Segundo a entidade Médicos Sem Fronteira, um protesto eclodiu em cidades costeiras da Líbia diante da nova onda de mortes. 

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