Suspensa até 2002 conferência sobre armas biológicas

Uma conferência na qual estavam reunidas 144 nações entrou em colapso nesta sexta-feira, depois de os Estados Unidos sugerirem que deveriam ser "encerrados" todos os esforços para a aplicação de um tratado que proíbe a fabricação e o uso de armas biológicas.A atitude norte-americana, tomada a poucos minutos do fim da conferência, pegou todos de surpresa, até mesmo seus aliados mais próximos, que passaram o dia inteiro em consultas com delegados norte-americanos, comentaram diplomatas."Isto deixa todos nós alarmados e perplexos", disse Rakesh Sood, embaixador indiano. Segundo ele, "quase todos os delegados recorreram às mesmas expressões para descrever a proposta como ?totalmente inaceitável??.Após a proposta dos Estados Unidos, os delegados reuniram-se brevemente para decidir o que fazer e resolveram suspender as negociações até 11 de novembro de 2002.Os Estados Unidos pediram a palavra pouco antes do encerramento de uma reunião de três semanas, para fortalecer a Convenção sobre Armas Biológicas assinada em 1972, que já havia gerado diversas divisões sobre outras questões, mesmo depois de os ataques e falsas ameaças com antraz nos Estados Unidos terem chamado a atenção para o acordo.O subsecretário norte-americano de Estado, John R. Bolton, tentou justificar a proposta, dizendo que ela foi feita "porque este é o último dia e é quando devemos negociar. Durante semanas nós deixamos subentendido que isto estava por vir"."Fizemos progressos substanciais nesta convenção ao colocar a obediência à convenção ao alcance da atenção pública", argumentou Bolton. "Nossa principal intenção ainda é fortalecer a convenção e continuaremos os trabalhos até o próximo mês de novembro."Boa parte das negociações de bastidores referiam-se a como aplicar o protocolo de 210 páginas e as formas como o chamado Grupo Ad Hoc de nações vinha trabalhando para descobrir um método para identificar os países que violam o tratado."A conferência toma nota do trabalho do Grupo Ad Hoc e decide que o Grupo Ad Hoc e seu mandato estão desta forma encerrados", sugeria a proposta norte-americana.Muitos países e especialistas em controle de armas esperavam manter o trabalho que vinha sendo feito, com a esperança de que Washington mudasse em algum momento sua atitude e procurasse evitar referências específicas ao Grupo Ad Hoc na declaração final do encontro.As negociações referentes à declaração final já estavam complicadas, comentou o presidente da conferência. "Estes elementos são resistentes demais", comentou o embaixador Tibor Toth, um diplomata húngaro que supervisiona há quase uma década os esforços para a aplicação do tratado.Toth disse que os negociadores já haviam concordado com 75% do documento de aproximadamente 20 páginas até a zero hora desta sexta. Porém, os 25% restantes contêm os assuntos mais contenciosos, como a exigência norte-americana de que o foco deve ser direcionado para os países que não obedecem ao tratado.O governo norte-americano, que qualifica o Iraque, a Coréia do Norte e outros quatro países como violadores do tratado, opõe-se ao tratado devido a sistema de inspeções que seria criado.O presidente dos EUA, George W. Bush, alega que o sistema proposto fracassaria em seu intento de detectar os violadores e ainda exporia segredos norte-americanos a potenciais inimigos ou rivais.Em vez disso, os Estados Unidos sugerem a realização de discussões públicas sobre as violações para pressionar países desobedientes e possivelmente confiar a aplicação do tratado ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e ao seu Conselho de Segurança, onde China, EUA, França, Grã-Bretanha e Rússia possuem poder de veto.

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