Sustada execução de deficiente mental nos EUA

Uma corte de apelações deteve nesta terça-feira a execução de um deficiente mental, poucas horas antes de sua sentença ser cumprida por meio de uma injeção letal. A corte suspendeu a execução de Antonio Richardson com o objetivo de aguardar uma audiência da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre o caso de John Paul Penry, homicida condenado à morte no Texas. Como Penry, Richardson está no limite de ser considerado retardado mental devido a seu baixo QI. A corte informou que utilizará o caso Penry como parâmetro para esclarecer o peso que devem dar os jurados à capacidade mental do acusado em situações de pena de morte. No caso Penry, há uma audiência marcada para 22 de março, mas ainda não se sabe quando a Suprema Corte dos EUA tomará sua decisão. A poucas horas de sua execução, Richardson pediu clemência à Suprema Corte do país e ao governador do Missouri Bob Holden. O advogado de defesa, Gino Battisti, pediu à Suprema Corte um adiamento enquanto é determinado se executar uma pessoa portadora de deficiência mental viola a oitava emenda da constituição norte-americana, que proíbe a aplicação de um castigo incomum e cruel. Os oponentes da pena de morte pediam ao governador que parasse a execução de Richardson, condenado por estuprar e matar duas irmãs em 1991. O cumprimento da sentença também era criticado pela mãe das vítimas. O caso chamou a atenção internacional pelo fato de Richardson ter 16 anos quando cometeu o crime e ser considerado deficiente mental por ter QI de 70. Grupos como a Anistia Internacional, o Centro de Justiça Familiar e Infantil, a Associação de Cidadãos Deficientes Mentais, a Human Rights Watch e a União Européia (UE) também pediram ao governador Bob Holden que poupasse a vida de Richardson. "Todo o caso é chocante", disse Anne James, do Centro de Justiça Familiar e Infantil, com sede na Northwestern University. "Execuções de adolescentes são partilarmente preocupantes. Se uma criança se desvia do modelo, é assim que nós a punimos? Com a morte?" Ginny Kerry, mãe das vítimas, disse em Saint Louis à KTVI-TV sentir muito pelo fato de Richardson ter sido o responsável pelos crimes. "Eu pedi clemência a ele por causa de sua juventude e por sofrer de deficiência mental." Seu ex-marido e outros familiares pediam o prosseguimento da execução. As filhas de Kerry, Robin, de 19 anos, e Julie, de 21, estavam numa ponte abandonada sobre o Rio Mississippi com um primo em 4 de abril de 1991 quando conheceram quatro rapazes. Eles as atacaram e roubaram. Depois, estupraram as garotas e as jogaram no rio. O primo de 19 anos, Tom Cummins, foi obrigado a pular da ponte, mas sobreviveu. Junto com Richardson, Marlin Gray, então com 23 anos, e Reginald Clemons, que tinha 19 na época do crime, foram sentenciados à morte pelo crime. O quarto rapaz, Daniel Winfrey, com 15 anos quando tudo ocorreu, admitiu sua culpa por assassinato em segundo grau em troca de seu testemunho.

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