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Suu Kyi aparece em público pela 1ª vez em 6 anos

Líder opositora de Mianmar teve autorização para deixar prisão domiciliar e se reunir com delegação dos EUA

Efe,

04 Novembro 2009 | 09h24

A líder opositora de Mianmar, Aung San Suu Kyi, apareceu nesta quarta-feira, 4, em um lugar público de Rangun pela primeira vez em mais de seis anos, depois que a Junta Militar a autorizou a sair de casa, onde cumpre prisão domiciliar, para se reunir com uma delegação do governo dos Estados Unidos.

 

Suu Kyi, condenada em agosto a mais 18 meses por violar a prisão domiciliar imposta em 2003, se apresentou no luxuoso hotel Inya Lake sorridente e com boa aparência, e inclusive posou alguns minutos para os fotógrafos, sem que as forças de segurança birmanesas impedissem.

 

Na entrada do estabelecimento, situado perto da casa de estilo colonial onde está confinada, Suu Kyi foi recebida pelo secretário de Estado adjunto americano para a Ásia Oriental e o Pacífico, Kurt Campbell, e o vice-secretário do mesmo departamento, Scot Marciel, que lideraram a delegação diplomática do mais alto nível a visitar Mianmar (antiga Birmânia) nos últimos 14 anos.

 

No final da reunião, de cerca de duas horas de duração e sobre a qual não foi divulgado o conteúdo, Suu Kyi parou na entrada do hotel, onde brincou quando pediram que sorrisse para as câmeras. "Este é um belo sorriso?", perguntou a Nobel da Paz, antes de se dirigir para o carro que a aguardava a fim de levá-la novamente para casa, onde esteve durante 14 anos em prisão domiciliar nos últimos 20 anos.

 

No final de setembro, Suu Kyi se pronunciou a favor do giro na política externa anunciada pouco antes pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton, para promover uma reforma democrática em Mianmar. A Nobel da Paz também enviou uma carta ao chefe da Junta Militar, general Than Shwe, na qual ofereceu abandonar sua postura de apoio às sanções econômicas impostas a Mianmar pelos Estados Unidos, União Europeia (UE), Austrália e Japão.

 

Campbell e Marciel se encontraram com a secretária-geral da Liga Nacional pela Democracia (LND), a única formação política legal que resiste à intensa pressão do regime, pouco após retornarem de Naypyidaw, a capital do país, onde se reuniram com o primeiro-ministro birmanês, Thein Sein, e com outros membros do governo.

 

O principal objetivo dos EUA é convencer o regime birmanês da conveniência de realizar em 2010 eleições legislativas livres e justas, apesar de o general Than Shwe ter reiterado que serão realizadas sem ceder às exigências da oposição e da comunidade internacional.

 

Em agosto, a pena imposta a Suu Kyi gerou uma onda de condenações da comunidade internacional, já que significa que a líder opositora não poderá participar do pleito, para o qual estão se preparando cerca de dez novos partidos políticos, quase todos ligados às esferas do poder.

 

A LND - que, com Suu Kyi à frente, venceu as anteriores eleições, realizadas em 1991 - não decidiu ainda se boicotará a próxima consulta, em resposta à falta de liberdade de sua máxima líder. As eleições e a Constituição de 2008, que, segundo a Junta Militar, foram apoiadas por mais de 90% dos birmaneses com direito a voto, são os dois últimos passos do "mapa do caminho" elaborado pelos generais.

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