Suu Kyi discursa em reunião da OIT

Os investimentos estrangeiros deve ajudar - e não prejudicar - o objetivo de Mianmar de se tornar uma democracia plena, afirmou a líder opositora Aung San Suu Kyi nesta quinta-feira, ao saudar os esforços de aproximação com seu país após décadas de isolamento sob regime militar.

AE, Agência Estado

14 de junho de 2012 | 13h03

A ganhadora do prêmio Nobel da Paz de 1991 discursou um dia depois de ter chegado à cidade suíça, em sua primeira viagem à Europa em 24 anos. A viagem e as declarações de Suu Kyi são atentamente observadas por governos e empresas estrangeiras ansiosos por investir em Mianmar, assim como pelos governantes reformistas birmaneses, atentos a seu status político.

Falando calmamente numa sala repleta de diplomatas emocionados com sua presença, Suu Kyi falou sobre os direitos dos trabalhadores e as responsabilidades dos investidores.

"Eu gostaria de pedir ajuda e investimentos que fortaleçam o processo democrático", disse ela durante a reunião anual da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em Genebra. "Nós aceitamos que investimentos sejam lucrativos", disse elas. "Mas quermos que esses lucros sejam compartilhados entre investidores e o nosso povo."

Suu Kyi destacou o sigilo que cerca dos acordos recentes entre a China e a empresa de gás e petróleo de Mianmar. "Eu gostaria de ver uma política energética sólida na Birmânia e ela deveria ser relacionada ao tipo de investimentos extrativistas que queremos receber", disse ela, aos jornalistas após o discurso, referindo-se a seu país pelo nome que tinha antes de a ditadura militar mudá-lo para Mianmar em 1989.

Da Suíça, Suu Kyi vai para Oslo, onde no sábado receberá, com anos de atraso, o prêmio Nobel da Paz concedido a ela 21 anos atrás, quando a ativista estava detida pelos militares após liderar a vitória do partido pró-democracia em Mianmar nas eleições de 1990.

Perguntada pela Associated Press se poderia perdoar a junta por ignorar o resultado daquelas eleições e por mantê-la em prisão domiciliar por 15 dos 22 anos seguintes, a mulher que é vista como um ícone do movimento democrático respondeu: "De alguma forma eu não acho que eles realmente fizeram alguma coisa comigo", disse ela. "Eu não acho que tenho do que perdoá-los." As informações são da Associated Press.

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