Suu Kyi pede que povo `não perca a esperança'

Líder política falou a uma multidão de seguidores e disse que conversará com nações ocidentais sobre sanções a Mianmar.

BBC Brasil, BBC

14 de novembro de 2010 | 07h57

A ativista foi cercada pela multidão no caminho até a sede do partido

A líder pró-democracia e Nobel da Paz Aung San Suu Kyi pediu a milhares de partidários que não deixassem de ter esperança, um dia após sua libertação, em Mianmar.

Em discurso na sede do seu partido, a Liga Nacional pela Democracia (NLD), em Yangun, Suu Kyi disse que "não há razão para parar de acreditar".

Ela foi libertada pela junta militar que governa o país no último sábado, ao final de sua condenação mais recente, que durou 18 meses.

Chefes de estado e organizações de Direitos Humanos comemoraram sua soltura. Ela passou 15 dos últimos 21 anos em prisão pública ou domiciliar.

Ao chegar à sede do NLD, Suu Kyi se encontrou com membros do partido e diplomatas estrangeiros. Em seguida, falou à multidão de cerca de 4 mil pessoas, em meio a aplausos e gritos de "Nós amamos Suu".

A Nobel da Paz disse que a liberdade de expressão é a base da democracia, e alertou aos seguidores que, se quisessem mudanças, teriam que fazê-la acontecer da maneira correta.

"Precisamos trabalhar juntos", disse. "Nós birmaneses costumamos acreditar no destino, mas se queremos mudanças temos que fazê-las."

Ainda neste domingo, ela deve falar à imprensa.

`Bem tratada'

A ativista afirmou que vai continuar a trabalhar pela reconciliação nacional, e disse que não tem ressentimentos contra os que a aprisionaram.

"Eles me trataram bem. Só gostaria que tratassem as pessoas da mesma maneira", declarou.

Ela disse ainda, no que foi interpretado como uma referência velada às últimas eleições, que "nada pode ser conseguido sem a participação do povo".

"Democracia é quando o povo mantém o governo sob controle. Eu aceitarei ser mantida sob o controle do povo", disse.

Suu Kyi passou parte da noite de sábado discutindo o futuro de seu partido, que se dividiu após boicotar as últimas eleições.

Sua libertação aconteceu seis dias depois que Mianmar teve as primeiras eleições parlamentares em 20 anos, que foram duramente criticadas ao redor do mundo.

Partidos políticos apoiados pelo governo militar tiveram a maioria dos votos.

O NLD venceu as eleições anteriores, em 1990, mas nunca conseguiu governar. Ela esteve quase que continuamente presa desde então.

A correspondente da BBC em Yangun relata que não havia a presença clara de seguranças durante o discurso da ativista.

No entanto, agentes do governo à paisana pareciam estar tirando fotos das pessoas na multidão como jornalistas.

Até agora, segundo a correspondente, as autoridades birmanesas ainda não tomaram atitudes a respeito da recepção a Suu Kyi.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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