Suu Kyi registra candidatura para eleição em Mianmar

Gritos de "vida longa a Aung San Suu Kyi!" ecoaram pelas ruas de Thanlyin, um distrito pobre de Rangum, nesta quarta-feira quando a líder opositora e vencedora do prêmio Nobel da Paz registrou sua candidatura para as eleições Parlamentares, marcadas para 1º de abril.

AE, Agência Estado

18 de janeiro de 2012 | 14h06

Libertada em 2010 após um longo período de prisão domiciliar, Suu Kyi registrou sua candidatura num distrito eleitoral rural cuja área devastada pelo ciclone Nargis em 2008. "Aung San Suu Kyi foi a primeira integrante da Liga Nacional pela Democracia (LND) a registrar sua candidatura. Ela vai concorrer à câmara Baixa", disse um graduado integrante do partido, Win Htein. O partido de Suu Kyi já recebeu permissão para retornar oficialmente ao cenário político birmanês.

Grupos de partidários com bandeiras se reuniram no escritório eleitoral local para demonstrar seu apoio e ver a líder de 66 anos, que se tornou a figura mais reconhecida de Mianmar durante anos de prisão domiciliar imposto pelo regime militar autoritário. Tal cena seria impensável durante o governo a junta militar, que desprezava Suu Kyi por causa de sua popularidade, além disso, qualquer manifestação de apoio público a ela era rápida e firmemente interrompida.

A liberdade permitida aos partidários de Suu Kyi é um outro sinal de que o governo eleito do país, que conta com apoio dos militares, está mantendo suas promessas de reformas democráticas, uma condição fundamental para que o Ocidente levante as sanções contra o país.

Desde que assumiu o poder em março, o governo libertou centenas de importantes prisioneiros políticos, assinou acordos de cessar-fogo com rebeldes étnicos, aumentou a liberdade de imprensa e abriu diálogo com Suu Kyi.

Mas mesmo que o LND conquiste todos os 48 assentos em disputa nas eleições especiais, ainda terá poder muito pequeno no Parlamento. A câmara Baixa, que tem 440 vagas, é dominada por parlamentares indicados pelos militares e aliados da antiga junta. Por outro lado, uma vitória seria histórica e daria voz à antiga prisioneira política no Parlamento pela primeira vez em décadas.

A Comissão Eleitoral deve aceitar sua candidatura, decisão que deve ser anunciada no mês que vem. Seu partido escolheu até agora 44 candidatos para os 48 assentos em disputa, que ficaram vagos por que os legisladores que se tornaram ministros. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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