System of a Down faz turnê especial

Banda tocará na Armênia pela primeira vez

RENATA TRANCHES, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2015 | 02h03

Talvez alguns dos principais porta-vozes para o reconhecimento do genocídio armênio não estejam no palco político, mas no musical. Netos de sobreviventes do massacre de 1915, os integrantes da banda de rock System of a Down chamaram a atenção dos fãs para a turnê #Wakeupthesouls que lançaram no início deste mês tendo os 100 anos do genocídio como tema.

O ápice de turnê será o show que a banda fará na Praça da República, na capital armênia, Erivan, na quinta-feira. Será a primeira vez que a banda tocará no país de seus ancestrais. "Isso é algo que transcende a música", disse o baterista John Dolmayan, em uma teleconferência nos EUA para anunciar os shows.

Não é a primeira vez que o tema entra no trabalho da banda. O próprio baterista lembrou que eles já falaram sobre o genocídio nas músicas P.L.U.C.K. (do primeiro disco, System of a Down) e Holy Mountains (do último, Hypnotize).

Para apoiar a turnê, a banda lançou um site especial com um mapa mostrando os países que já reconhecem o genocídio. Divulgou também um vídeo e um comunicado explicando aos fãs o que foi o massacre e pedindo a eles que exijam de seus governos o reconhecimento - especialmente os fãs da Turquia. "Ao marcarmos esse centenário solene, por favor, junte-se a nós e às boas pessoas de consciência na Turquia que apoiam a verdade e a Justiça e peça a seu presidente e ao Parlamento que a República da Turquia aceite a responsabilidade moral e material pelo genocídio armênio."

Brasil. A turnê passará pelo Brasil em setembro. No Rio de Janeiro, no dia 24, no Rock in Rio. Em São Paulo, no dia 25, na Arena Anhembi. Depois, a banda segue para a Argentina. Nesses dois países estão as duas maiores comunidades armênias da América Latina. Não está claro se a banda fará um pedido especial aqui, já que a Argentina já reconhece o genocídio.

No Brasil, um projeto de lei foi apresentado em 2007 pedindo que o governo reconhecesse o genocídio, mas ele foi tirado de pauta. O autor do projeto, deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB/SP) afirmou ao Estado que será reapresentado em um "momento mais oportuno".

O Ministério das Relações Exteriores, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que o governo "se solidariza com a dolorosa tragédia dos armênios em 1915" e busca favorecer o diálogo entre a Armênia e a Turquia. "Ao reconhecer o importante papel da numerosa e ativa comunidade armênia para a formação e o desenvolvimento do Brasil, o governo brasileiro dispõe-se a aprofundar, ainda mais as relações de amizade e cooperação que existem com a Armênia."

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