Polícia de Surrey/Divulgação/AP
Polícia de Surrey/Divulgação/AP

Tabloide é acusado de violar sigilo de vítima de crime

Premiê David Cameron pediu investigação imediata; jornal também sofre pressões de anunciantes

AE, Agência Estado

05 de julho de 2011 | 18h21

LONDRES - O tabloide britânico The News of the World chocou os ingleses após ser acusado de ter invadido as mensagens do telefone celular de uma adolescente de 13 anos e provavelmente ter dificultado a investigação da polícia sobre seu desaparecimento e assassinato.

 

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Os britânicos estão acostumados a ver a imprensa incomodar a realeza, astros dos esportes e celebridades, fazendo escutas clandestinas e pagando fontes das mais divergentes para obter informações sobre a vida sexual e os problemas com drogas de famosos.

 

Ainda assim, o caso envolvendo a menina Milly Dowler, de 13 anos, deixou todos horrorizados, do primeiro-ministro David Cameron a estrelas de cinema e pessoas que escrevem no Twitter.

 

"É assustador que alguém possa ter feito isso, sabendo que a polícia estava tentando encontrar esta pessoa e tentando descobrir o que havia acontecido", disse Cameron durante viagem ao Afeganistão. O caso atraiu as atenções para o já manchado News of The World, parte do império global de mídia de Rupert Murdoch, a News Corp.

 

O sequestro de Dowler em 2002, quando caminhava da escola para casa em Surrey, sul de Londres, foi assunto no país até seu corpo ser encontrado numa floresta, seis meses depois, por pessoas que colhiam cogumelos. Enquanto a polícia procurava pistas e os pais de Milly faziam dramáticos apelos por qualquer informação que pudesse ser útil no caso, um investigador particular invadiu seu telefone celular, ouviu suas mensagens e até apagou algumas para deixar espaço para novas.

 

Mark Lewis, advogado do pais de Dowler, disse hoje que a invasão pode ter atrapalhado a investigação policial e que ele planeja processar o tabloide por sua interferência no caso. Não se sabe por quanto tempo Dowler esteve viva após ter sido sequestrada, mas a ação do tabloide aconteceu logo após seu desaparecimento. A polícia descobriu que algumas mensagens haviam sido apagadas, o que deu aos pais de Milly a falsa esperança de que ela pudesse estar viva.

 

Executivos responsabilizados

 

"A angústia aumentou ao sabermos que o News of the World não foi humano durante aquele período tão difícil", disse Lewis. "O fato de que eles estavam preparados para agir de maneira tão hedionda que poderia ter prejudicado a investigação policial e dar a eles falsas expectativas é desprezível."

 

Para ele, os executivos do jornal devem ser responsabilizados e deixar seus cargos. O serial killer Levi Bellfield foi condenado pelo assassinato de Milly duas semanas atrás. Ele já cumpria duas sentenças de morte por assassinato.

 

Cameron condenou a intromissão do jornal e pediu uma investigação imediata. Membros do Parlamento decidiram realizar um debate emergencial amanhã sobre a invasão. Glenn Mulcaire, investigador particular que já ficou preso por ajudar o tabloide a invadir telefones celulares, pediu desculpas hoje por qualquer interferência na investigação policial.

 

O jornal também sofre pressões de seus anunciantes. A Ford britânica anunciou que vai suspender seus anúncios no tabloide por causa deste caso. A cadeia de supermercados Tesco e a Virgin Media também disseram que estudam retirar seus anúncios.

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