Tailândia: apesar de protestos, eleições seguem no país

Manifestantes que tentam impedir a realização das eleições nacionais na Tailândia neste domingo fecharam centenas de seções eleitorais, embora a votação transcorra sem problemas na maior parte do país. As tensões se concentram na capital, Bangcoc, onde 488 das 6.600 seções eleitorais foram fechadas e várias discussões foram registradas entre manifestantes que querem impedir a votação e eleitores frustrados.

Agência Estado

02 de fevereiro de 2014 | 08h13

A Comissão Eleitoral informou que o fechamento das seções afetou mais de 6 milhões de eleitores.

Em alguns casos, os manifestantes formaram bloqueios para impedir os eleitores de entrar nos locais de votação. Em outros, os manifestantes impediram a entrega das cédulas de votação e de outros materiais eleitorais, o que evitou a abertura das seções eleitorais. Segundo a Comissão Eleitoral, centenas de locais de votação no sul, reduto da oposição, enfrentaram problemas semelhantes.

Eleitores irritados num bairro de Bangcoc protestaram do lado de fora de seções eleitorais fechadas, agitando seus documentos e gritando "Eleição! Eleição!"

"Temos do direito de votar. Eles não têm o direito de tirar isso de nós", disse Sasikarn Wannachokechai, de 51 anos, moradora da capital que afirma nunca ter perdido uma chance de ir às urnas.

O resultado do pleito deve ser inconclusivo. Como manifestantes impediram o registro de candidaturas em vários distritos, o Parlamento não terá membros eleitos em número suficiente para uma sessão regular, o que significa que a primeira-ministra Yingluck Shinawatra não terá condições para formar um novo governo ou sequer aprovar o orçamento, o que deixará o país ficará num limbo político por meses, até que eleições complementares sejam realizadas em distritos eleitorais onde não ocorreu a votação.

Os resultados oficiais devem levar semanas até serem divulgados e a contagem final será adiada até que todos os distritos tenham realizado seus pleitos.

Os protestos colocam em lados opostos manifestantes que dizem querer suspender a frágil democracia do país para instituir reformas contra a corrupção e partidários de Yingluck, que sabem que a votação não resolverá a crise tailandesa, mas afirmam que o direto ao voto não deve ser revogado.

Os manifestantes, uma minoria que não tem condições de conquistar o poder nas urnas, exige que o governo seja substituído por um conselho não eleito que reescreveria as leis políticas e eleitorais para combater problemas profundos de corrupção política. Yingluck recusa-se a deixar o poder, afirmando que está aberta a reformas e que o conselho proposto pela oposição é inconstitucional. Fonte: Associated Press.

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